03/11/2017  às 09hs33

Política

A volta de Júlio Garcia para a política partidária catarinense


Foto: Divulgação

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Uma articulação que dominou boa parte dos bastidores políticos do Estado nos últimos meses deve chegar a uma conclusão na próxima segunda-feira. Após uma conversa com o governador Raimundo Colombo (PSD), o conselheiro Júlio Garcia deve anunciar a aposentadoria no Tribunal de Contas do Estado e a volta à política partidária. O substituto também já estaria definido: o deputado estadual José Nei Ascari (PSD).

A conversa entre Colombo e Júlio Garcia aconteceria esta semana, não fosse a internação do governador por causa da diverticulite. O conselheiro garante que o martelo ainda não está batido e que apenas após esse encontro decidirá seu rumo. Também afirma que não existe a exigência de que a vaga no TCE seja ocupada por Ascari e que a decisão cabe a Colombo.

Na Assembleia, a conversa é outra. Há cerca de dois meses a substituição é tratada quase abertamente — até mesmo o aproveitamento de comissionados de Ascari em outros gabinetes pessedistas. A troca é simples: o deputado vira conselheiro e Garcia tem o caminho aberto para voltar ao parlamento que presidiu por duas vezes e onde se notabilizou como um dos mais hábeis articuladores políticos da história catarinense. Quando foi para o TCE, em 2008, abriu espaço para Ascari, seu chefe de gabinete, concorrer.

A intenção é fazer toda essa operação da forma mais rápida possível. Como se trata de uma vaga de livre indicação do governador, não será necessário abrir tempo para inscrição de candidaturas — como ocorre quando é uma vaga de escolha do parlamento. Se Garcia confirmar a aposentadoria na segunda-feira, é possível que já na terça-feira os deputados homologuem a indicação de Ascari.

Prepare-se, leitor, para questionamentos de entidades ligadas ao TCE e ao Ministério Público de Contas contra a politização da escolha dos conselheiros. Quando o então deputado estadual Dado Cherem (ex-PSDB) foi indicado para o tribunal — que hoje preside — o tema chegou a ser levado ao Judiciário. Também será lembrada a delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Paulo Welzel que cita suposta intermediação do conselheiro para doação em caixa dois para a campanha de Ascari em 2014 — que teria ganho o codinome "herdeiro". Tudo isso está na conta do desgaste político, mas é uma fatura que o PSD e o governo parecem dispostos a pagar. Ter Júlio Garcia de volta, abertamente, ao jogo político, parece valer a pena.

 

Com informações do Jornal Diário Catarinense


03/11/2017  às 09hs33