05/07/2018  às 07hs43

Polícia

Acusado de feminicídio em Imbituba é denunciado pelo MP

O autor do crime, segundo a promotoria, é o namorado da vítima. Ela morreu após receber diversos golpes (chutes, joelhadas e socos) no abdômen


Um homem de 36 anos é, segundo o Ministério Público (MP) de Imbituba,  acusado de matar a namorada, Isadora Viana Costa, de 22 anos. A promotoria também o denunciou por fraude processual, ao modificar a cena do crime, conforme o MP, a fim de induzir o perito a erro.

O acusado foi denunciado por homicídio qualificado por feminicídio. O assassinato da jovem ocorreu no último dia 8 de maio. Uma amiga do agora réu no processo também foi denunciada por modificar a cena do crime. Na ação penal, ajuizada nesta terça-feira, a promotora Sandra Goulart Giesta da Silva, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Imbituba, demonstra que namorado da vítima cometeu feminicídio e foi qualificado por motivo fútil e por usar recurso que impossibilitou a defesa de Isadora, além de cometer fraude processual, ao modificar a cena do local onde foi encontrado o corpo da vítima.

"Demonstrando extrema frieza e dissimulação, após matar, solicitou atendimento ao Corpo de Bombeiros, informando que ela estaria tendo uma convulsão e teve o cuidado de espalhar, no local, diversas cartelas de remédios controlados, para dar credibilidade à sua versão", explica a promotora de justiça.

 

O namorado da vítima, que tem um estabelecimento comercial em Imbituba, também foi denunciado por posse ilegal de acessório de uso restrito para arma de fogo. Ele conheceu Isadora em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no mês de março deste ano. Os dois logo começaram a namorar e no dia 22 de abril a jovem aceitou o convite para passar alguns dias no apartamento do acusado, na cidade portuária.

Desde que começou a conviver com o namorado, Isadora constatou que ele era usuário contumaz de cocaína, drogas sintéticas, bebidas alcoólicas e remédios controlados. A vítima também percebeu, e confidenciou a amigas, que nos momentos em que ele estava sob efeito de drogas se tornava agressivo e descontrolado. Durante a noite de 7 até a madrugada do dia 8 de maio, de acordo com a denúncia, o casal ingeriu bebida alcoólica. O denunciado também cheirou cocaína. Por volta de 5h45, Isadora acreditou que o namorado estivesse passando mal. Ele espumava pela boca. Desesperada, decidiu chamar a irmã do namorado para socorrê-lo, no entanto, o homem escondia da família que era viciado em drogas.

Atendendo ao chamado de Isadora, a irmã do empresário, acompanhada do noivo, foi até o apartamento do irmão por volta das 6h. O denunciado, trancado no quarto, não atendeu aos chamados da irmã. A porta foi arrombada. Após constatar que o irmão estava bem, a irmã e o noivo foram embora. Assim que saíram, o acusado teve a explosão de fúria. Como tentava esconder da família o vício, ficou furioso com a namorada pelo simples motivo dela ter chamado a irmã para socorrê-lo.

Com porte físico avantajado, forte e lutador de artes marciais, ele surpreendeu a vítima e a imobilizou lhe desferindo diversos golpes no abdômen. "O médico legista concluiu que as lesões traumáticas encontradas no abdômen, como laceração de vasos abdominais e laceração hepática, foram decorrentes de ação mecânica de alto impacto contra esta parte do corpo e provavelmente repetitiva, compatíveis com múltiplos chutes, joelhadas e socos", detalha Sandra.

 

"Após matar a namorada, pediu por atendimento ao Corpo de Bombeiros. Ao invés de acompanhar a vítima, que não tinha nenhum familiar ou amigo na cidade, até o hospital, o denunciado permaneceu em seu apartamento, a fim de ocultar provas, dificultando o trabalho de investigação", sustenta a promotora.

O homem então foi para o hospital após modificar a cena do crime. Lá encontrou uma amiga e a entregou a chave do apartamento para que ela tirasse o lençol sujo. A denunciada não se limitou a levar somente o lençol, levou também outros objetos, inclusive, segundo a promotoria, garrafas de bebida alcoólica. Diante das evidências que a morte da vítima se tratava de um homicídio, a Delegacia de Polícia requereu a expedição de mandado de busca e apreensão na residência do denunciado. No dia 14 de maio de 2018, foram apreendidos um prato e três canudos de plástico com vestígios de cocaína, bem como duas toalhas, duas camisetas e quatro pedaços de panos com vestígios de sangue, dois deles já estavam lavados e dois ainda estavam de molho em um balde com água.

Além disso, foram apreendidos uma espingarda, marca Boito, número G06045310, calibre .12, bem como 80 munições calibre .12, 66 munições calibre .380. Uma pistola Glock, número NKY614, calibre .380 foi entregue posteriormente à polícia. As armas estavam com os registros vencidos. Também foram apreendidos uma mira à laser para uso em arma de fogo, fabricada na Argentina por Láser Car TRL, modelo Cat Glock Series, acessório de uso restrito1, que Paulo Odilon possuía, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.

A denúncia nº 08.2018.00177195-2, já recebida pelo Juízo de Direito da 2ª Vara da Comarca de Imbituba, agora seguirá o trâmite processual. O acusado aguarda o processo em liberdade.

 

Fonte: Notisul


05/07/2018  às 07hs43