09/11/2017  às 09hs35

Saúde

Banco de Olhos de Criciúma está sem funcionar há 10 meses


Foto: Mateus Bruxel/Agencia RBS

Foto: Mateus Bruxel/Agencia RBS

De janeiro até agosto deste ano, Criciúma captou 13 córneas, número que poderia ser muito maior se o Banco de Olhos, inaugurado em dezembro de 2016, estivesse aberto. O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o caso, e quer saber por que o serviço ainda não começou. A última resposta da Secretaria Municipal de Saúde foi que o banco é de caráter regional, e por isso não justifica o custeio municipal de cerca de R$ 40 mil mensais com a folha de pagamento dos funcionários.

Para o promotor de Justiça Alex Sandro Teixeira da Cruz, da 5ª vara de Criciúma, o Executivo municipal precisa dar uma posição definitiva sobre o serviço, e se reafirmar que não tem a intenção de abrir, os valores investidos terão que retornar aos cofres públicos. Ele lembra que a estrutura teve investimento de quase R$ 300 mil do Fundo Estadual de Saúde, mas a decisão de abrir ou não o Banco de Olhos cabe à administração municipal.

— Recebemos em junho a informação oficial do município de que toda parte física, equipamentos e liberação estava pronta. Mais recentemente, em setembro, o município informou que havia desistido de implantar o Banco de Olhos. Requisitamos informações acerca dessa contradição, de estar tudo pronto para funcionar e agora desistir — explicou o promotor.

O prazo para o posicionamento da Procuradoria municipal encerrou no dia 30 de setembro, mas não houve resposta. Atualmente, a captação de córneas é feita no Hospital São José, e o material é encaminhado a Florianópolis. Com o banco em funcionamento, todas as cidades de Passo de Torres a Imbituba passariam a ser atendidas por esse novo local. Ainda no Sul, Araranguá e Laguna são as outras cidades com autorização para captar tecidos oculares.

Santa Catarina tem três bancos de olhos, localizados em Chapecó, Joinville e Florianópolis. O ano começou com 98 pessoas na fila, e no último levantamento, 52 ainda aguardavam por transplantes. Presidente da Cruz Vermelha de Criciúma e funcionário do Instituto Médico Legal (IML), Almir Fernandes é um dos idealizadores do banco na cidade. Ele defende que as córneas captadas poderiam ajudar a zerar a fila de espera.

— O Banco de Olhos viria para atender uma demanda de muitas cidades, quase 500 mil habitantes, ajudando a oferecer córneas dos IMLs de Araranguá, Criciúma e Tubarão mais os 27 hospitais do SUS da nossa região — defende.

Prefeitura não quer bancar custos sozinha

Com um custo mensal estimado em R$ 40 mil para pagar a equipe que vai atuar no Banco de Olhos, a secretária de Saúde Franciele Lazzarin Gava defende que a atual situação financeira do município não permite esse gasto. Na semana passada, ela e outros envolvidos no assunto se reuniram com a administração da Universidade do Extremo Sul Catarinense, para iniciar as conversar sobre a possibilidade da universidade assumir a gestão do local. Nada foi definido, mas o Legislativo municipal também tem tentado intervir a favor do banco.

O presidente da Câmara de Vereadores Júlio Colombo enviou uma sugestão ao Executivo, solicitando que parte da devolução mensal que a Câmara faz ao município seja destinada para este serviço. No primeiro semestre deste ano o Legislativo já devolveu cerca de R$ 1,7 milhão aos cofres públicos. A decisão do que fazer com as verbas é do prefeito Clésio Salvaro, que não deu nenhuma certeza sobre o encaminhamento.

Responsável pelas cirurgias de transplante de córneas em Criciúma, o médico oftalmologista Marcos Pizolatto diz que o número de transplantes vem diminuindo em todo o mundo, devido a outros tratamentos que tem se mostrado eficientes. Ele ressalta que a fila e o tempo de espera em Santa Catarina são bem menores do que em outros lugares, mas defende o funcionamento do banco.

— A nossa fila de espera em Santa Catarina é por volta de dois meses, um tempo razoável, há dois ou três anos era de um ano e meio, dois. Por um conjunto de fatores a fila diminuiu. A central de transplantes tem atuação positiva, grande número de doações, porém alguns Estados nem banco de olhos têm. Nossa cidade tem essa cultura da doação, e a gente poderia ser um case de sucesso para o Brasil — projetou Pizolatto.

 

Com informações do Jornal Diário Catarinense


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