09/08/2019  às 13hs06

Geral

Carreira e maternidade: a experiência de uma advogada gestante

Na semana em que se comemora o Dia do Advogado, a profissional Franciele Bianco Pizzoni falou dos desafios enfrentados para fazer valer seu direito no exercício da profissão durante o período gestacional.


Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal


Saber ouvir e compreender a dor para resolver ou minimizar os problemas. Ao aceitar atuar em defesa de um cliente, são estas atitudes que norteiam o trabalho da advogada Franciele Bianco Pizzoni, com atuação em Orleans e região, que preza por corresponder à confiança depositada pelos que a escolheram. Para garantir que isso de fato ocorresse, a profissional optou por se manter em atuação mesmo durante o período gestacional. Contudo, na busca por Justiça para seus clientes, alguns percalços foram encontrados para fazer valer seu próprio direito.


Há quase três anos, Franciele passou a atuar em escritório próprio e, quando engravidou, em setembro do último ano, estava no auge de sua carreira. Os entraves, entretanto, surgiram por volta do sexto mês de gestação. "Eu não tinha horários para trabalhar. Até os seis meses de gravidez, não havia me desconectado ainda daquela rotina. Aí então comecei a analisar as datas de consultas e exames com as audiências e demais compromissos do trabalho", relembrou. O primeiro passo então foi a busca por conhecer os seus direitos. “Até nisso foi difícil, pois não é algo ensinado durante a faculdade”, apontou.


A solução então foi pesquisar por conta própria. “Por meio da minha necessidade, precisei ir a fundo para saber o que eu poderia exigir. Nessa busca, constatei que é direito de toda advogada gestante que esteja impedida de se fazer presente diante da gestação ou do período purpúreo adiamento de atos processuais, como uma audiência, por exemplo. O mesmo cabe para a suspensão do processo por até 30 dias após o parto. Tomei conhecimento de que há casos de advogadas grávidas que precisaram entrar com ações judiciais para conseguirem que uma audiência fosse adiada. Isso eu nunca precisei, mas sabendo desses casos, eu usei de pedidos mais coercitivos, falando sobre o que eu faria caso não tivesse meus direitos garantidos. Eu fazia a petição e também ligava, explicando a situação. Por vezes, fui bem atendida, mas outras não. Então tudo o que eu consegui, foi meio que implorando”, relatou.


Existe a possibilidade de contratar outro advogado para substituir nos atos processuais, mas, considerando que era um direito da profissional e dos clientes, passou solicitar que as audiências fossem adiadas quando necessário. “A primeira resposta foi sempre de que eu poderia passar para outro advogado, que eu não precisaria assumir os processos. Ou seja, as justificativas sempre foram para que eu simplesmente abrisse mão desse direito. Houve situações que fui humilhada por ter que insistir e convencer, me vi sendo coagida para que não exercer o meu serviço. E isso pode acontecer com outras mulheres que passarem pela mesma situação. Mas, mesmo com as dificuldades e limitações do período gestacional que torna a mulher mais frágil, ela ainda assim é capaz de manter-se ativa e fazer grandes feitos na busca dos próprios direitos”, defendeu.


Portanto, no Dia do Advogado, celebrado neste domingo, 11 de agosto, a advogada Franciele resolveu contar sua experiência, com o intuito de que seu relato contribua para outras gestantes advogadas não enfrentem as mesmas dificuldades que ela. “Meu objetivo, após essa experiência, é trazer esse problema à tona, mostrar para outras advogadas gestantes que, se elas tiverem condições e quiserem continuar, elas têm esse direito, assim como seus clientes”, concluiu.


Confira alguns dos direitos garantidos


Gestante: a) entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de metais e aparelhos de raios X; b) reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais;


Gestante, lactante, adotante ou que der à luz: preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição;


Adotante ou que der à luz: suspensão de prazos processuais quando for a única patrona da causa, desde que haja notificação por escrito ao cliente.


Redação Notícias JH



09/08/2019  às 13hs06