10/08/2017  às 09hs13 - Atualizado em 10/08/2017  às 09hs19

Polícia

Corregedoria da PM vai investigar flagrante de violência policial contra menor no Rincão


Foto: Divulgação

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A corregedoria da Polícia Militar de Içara, no Sul do Estado, vai investigar um flagrante de violência policial registrado no último sábado em Balneário Rincão. Um adolescente de 14 anos foi abordado por dois PMs, por volta das 15h, colocado contra a parede e agredido com um pedaço de madeira. Ele foi liberado em seguida. A ação foi filmada, mas a família não registrou boletim de ocorrência por medo de represálias.


O tenente-coronel Darci Rodrigues Júnior, comandante do Guarnição Especial de Içara, explicou que, ao tomar conhecimento do vídeo, abriu imediatamente um inquérito para identificar os soldados envolvidos e a vítima das agressões. Ele ficou sabendo pela reportagem do DC que o agredido era menor de idade. Segundo ele, os envolvidos podem responder tanto na área administrativa quanto criminal.


— Esse tipo de coisa a gente faz questão de evidenciar e tomar todos os procedimentos cabíveis. É o tipo de coisa que a gente não compactua. Os policiais têm um padrão de ação e não podem fugir disso, por isso a gente tem um regulamento disciplinar rigoroso. Você não pode estar vestido de autoridade, usar arma e agir com abuso. Nem com excesso, nem com omissão — explicou.


Desde que assumiu o grupamento, há cerca de um ano e meio, o comandante conta que já encaminhou algumas investigações contra policiais, porém, por falta de provas, ninguém foi afastado das funções. O inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído.


— A população pode ficar tranquila. Esse tipo de procedimento não é de maneira nenhuma determinado pela nossa instituição, zelamos pelo nome da Polícia Militar. Ninguém vai para a rua para cometer abuso. 


Famílias com medo


No bairro Mirassol, onde ocorreu a agressão do menor, as famílias estão com medo. Muitas relatam abusos durante as abordagens policiais, na maioria das vezes com violência. Segundo os relatos, muitos são ameaçados e, por isso, não registram boletim de ocorrência (BO). O próprio Conselho Tutelar do município só feito chamado uma vez até o bairro, no ano passado, durante uma ação policial envolvendo menores de idade.


Sem os registros oficiais, os casos não são levados adiante. Uma das mães, que não quis se identificar, quebrou o ciclo de silêncio e procurou a delegacia no início do mês, depois do filho ser levado no meio da tarde e devolvido horas depois, cheio de hematomas e com os olhos inchados pelo uso do spray de pimenta. Em outro caso, um dos filhos do vigilante Luiz Volnei Sebastião foi retirado à força de dentro de um bar por policiais diante de diversas testemunhas:


— Eles já dizem que não vão mais bater, que agora vão matar o meu guri. Ele vive com medo, nem sai mais de casa. Eu nem sabia que no Brasil tinha pena de morte — lamenta.


Somente o vigilante já tem cinco boletins registrados por agressão, mas até hoje nunca foi chamado para depor. Alguns pais admitem o envolvimento dos filhos com o tráfico de drogas, mas defendem que o trabalho da polícia deve ser realizado de maneira séria, e não por meio de agressões. Uma das mães, que já teve o filho agredido pelo menos três vezes, desabafa:


— Os policiais têm que fazer o trabalho deles, é a nossa segurança. A intenção não é passar a mão na cabeça dos jovens. Se fez o delito, tem que pagar. Mas agredir sem mais nem menos, a qualquer hora, é covardia e só aumenta a revolta e a violência.


 


Com informações do Jornal Diário Catarinense


10/08/2017  às 09hs13