29/09/2017  às 11hs03 - Atualizado em 13/10/2017  às 14hs13

Cura integrativa

Demanda por terapias cresce e tratamentos diversificados são oferecidos por profissionais da região.


Fotos: Katia Antunes e Daniel Librelato.

Fotos: Katia Antunes e Daniel Librelato.


Por Daniel Librelato Massuco


 


Em virtude da crescente demanda da população brasileira por diferentes métodos de tratamento em saúde e também com a intenção de integrar sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos aos Sistemas Oficiais de Saúde, o Ministério da Saúde aprovou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS.


Diversos tipos de terapias estão englobadas na chamada Medicina Tradicional e Complementar/Alternativa MT/MCA ou Práticas Integrativas e Complementares. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a OMS, terapia alternativa significa que ela é utilizada em substituição às práticas da medicina convencional, já a terapia complementar é utilizada em associação com a medicina convencional, e não para substituí-la. O termo integrativa é usado quando há associação da terapia médica convencional aos métodos complementares ou alternativos a partir de evidências científicas. Para apresentar alguns tipos das terapias oferecidas na região, o JH traz as definições de profissionais distintos. 


O Reiki

Nadia Massuco, master coach e terapeuta holística

 


No âmbito das Terapias e Medicinas de Campo Bioenergético, Reiki é uma terapia complementar para redução do estresse e relaxamento que promove a cura. É transmitido através da imposição de mãos e concentra-se na “energia vital” que flui através das pessoas. “Se o nível de energia vital está baixo, ficamos mais propensos às doenças ou mais estressados. Se estiver alta, somos mais capazes de nos sentirmos felizes e saudáveis” pontua  Nadia Massuco, Master Coach e terapeuta holística, a qual atende no município de Orleans e região.


A terapia Reiki não está vinculada a nenhum tipo de religião conforme aponta Nádia. “Nós olhamos para o ser humano como um todo, com dimensões físicas, emocionais, mentais e energéticas. O Reiki age na causa dos problemas emocionais e corporais, ele age diretamente no ser que está em tratamento, ou seja, ela trata o ser doente, sem relação com a espiritualidade de cada um”, enfatiza.


De acordo com a terapeuta, o Reiki pode ser recebido por todos, sejam eles adultos, idosos, crianças, bebês e também em animais. “Reiki é um sistema próprio para despertar o poder que habita dentro de nós, captando, modificando e potencializando energia. Funciona como instrumento de transformação de energias nocivas em benéficas. No Reiki não se realiza diagnóstico, não é equiparada às biomedicinas, medicinas tradicionais, e não exclui as medicinas tradicionais, pelo contrário, amplia a sua eficácia.”


Esta terapia não apresenta nenhum tipo de contraindicação. Dentre os benefícios divulgados, o Reiki acalma, reduz o estresse e provoca no organismo uma sensação de profundo relaxamento. “O Reiki alivia a dor e ajuda no processo de libertação das emoções. Ele também limpa e clarifica o seu campo energético, assim como harmoniza os órgãos para melhorar a recuperação em doenças. Fazer um tratamento de Reiki é como abrir a janela de sua casa para deixar a energia do sol entrar, é a energia do universo entrando em seu corpo, mente, emoções e campo energético”, pontua Nadia.


 


A acupuntura


 

Médica acupunturista Tainá Calvette

 


 


A acupuntura é uma técnica terapêutica de origem oriental, utilizada há aproximadamente 5.000 anos. Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, a acupuntura consiste na busca do equilíbrio do corpo e da mente. Esse equilíbrio é alcançado através da estimulação de “acupontos”. São cerca de 1000 pontos, sendo 365 classificados e utilizados tanto na acupuntura humana, quanto em animais.


Os acupontos estão espalhados por todo o corpo, os quais percorrem caminhos até os órgãos e vísceras, os quais estimulados desempenham as funções terapêuticas pretendidas.  A existência desses meridianos energéticos, atualmente são comprovados cientificamente, podendo ser identificados por aparelhos os quais identificam e mensuram o nível de energia.


Na rotina do acupunturista, o profissional encontra na Medicina Tradicional Chinesa várias formas de diagnósticos as quais auxiliam no tratamento e também possíveis prognósticos, ou seja, de possíveis patologias futuras. Isso por ue a terapia não se baseia apenas na doença a qual o indivíduo apresenta no momento da consulta, e sim em outras informações que serão observadas, sendo que se essas estiverem em desequilíbrio poderão indicar uma outra causa nem sempre aparente.


“A Medicina Tradicional Chinesa observa o indivíduo como um todo e não apenas o sinal mais aparente. Por meio de outras características encontradas durante a consulta se poderá então descobrir outros desequilíbrios os quais poderão ser os causadores do sinal observado. Este é um diferencial que destaca a acupuntura como uma terapia que harmoniza todo o corpo, auxiliando no processo terapêutico em diversas patologias e também como prevenção de patologias futuras”, relata Tainá Calvette, médica acupunturiatra.


 

Carlo Hackmann, médico de família e acupunturista ao lado da esposa Tainá.

 


Carlo Hackmann, médico de família e acupunturista, aponta que encontrou na terapia chinesa ferramentas que potencializam o seu trabalho. “É uma gama de informações que amplia a visão do diagnóstico de um eventual problema de saúde. Na acupuntura é dada muita atenção a diversos tipos de sinais, onde o indivíduo e o meio em que ele vive são levados em consideração. Muitos se acostumaram a se perceber distante da natureza, quando na verdade fazemos parte dela, e a acupuntura leva isso em consideração em um amplo sentido”, revela o médico que, ao lado da esposa Tainá, atendem na cidade de Gravatal, Braço do Norte e toda região.


“Mesmo que um indivíduo esteja com a saúde em dia, recomendamos de que eles façam uma sessão ao menos a cada troca de estação para ajudar o corpo a se equilibrar”, complementa Tainá.


A terapia é indicada a pacientes com dores agudas, crônicas, enxaquecas, fibromialgia, dores musculares, artroses e artrites, dependência química, transtorno de ansiedade, depressão, insônia, estresse e esgotamento, entre outros.


 


Na Medicina Veterinária


 


Gislany Brognoli, médica veterinária acupunturista

 


A acupuntura na medicina veterinária vem sendo utilizada no Brasil desde os anos 70 e foi reconhecida como especialidade desde 1995, desde então, é difundida de maneira crescente em vários estados.


“Na nossa região muitas pessoas conhecem a técnica sendo empregada somente a humanos, porém é perceptível que a procura segue crescendo cada vez mais também aos animais. A consulta e o tratamento envolvendo a acupuntura é algo que chama cada vez mais atenção dos tutores, isso porque já na primeira sessão a maioria dos animais já demonstra sinais positivamente perceptíveis. Outro ponto que deve ser ressaltado é a diminuição de uso de medicamentos nos tratamentos os quais a acupuntura está complementando, havendo assim uma menor exposição química dos animais, proporcionando uma terapia limpa e com possibilidade quase nula de contraindicações e efeitos colaterais”, declara Gislany Brognoli, médica acupunturista, a qual atende em diversas regiões do Sul de Santa Catarina.


A conversa entre tutor e o médico veterinário nem sempre é destinada somente à causa aparente apresentada, ela vai desde hábitos rotineiros dos animais, comportamento, preferência por tipo de alimentos, sensações a estímulos de temperatura, características do ambiente onde o animal vive, relação com as pessoas e animais desse ambiente, por exemplo.


“Na primeira sessão de acupuntura o maior receio dos tutores é quanto à resistência dos animais às agulhas, porém, na maior parte das vezes, esse problema é abolido na primeira agulha puncionada. Isso porque ao colocar a agulha, o corpo do animal libera várias substâncias relacionadas ao bem-estar, como serotonina e endorfina, fazendo com que o animal relaxe e não tenha a impressão negativa sobre as agulhas, sendo até contrário a isso, muitos animais que aparentemente agressivos ou que estão amedrontados depois do primeiro estímulo mudam seu comportamento se tornando mais relaxados e completamente entregues a sessão”, relata Gislany.


De acordo com a médica veterinária, a acupuntura apresenta pouquíssimas contraindicações, porém é sempre indicado que seja feito por um profissional especializado e que conheça a técnica empregada.


A acupuntura pode ser utilizada em uma infinidade de enfermidades, já que apresenta efeitos analgésico, anti-flamatório, relaxante muscular, promove imunidade, reabilitação de lesões neurológicas, traumas ósseos, auxiliar no pós-cirúrgico, dermatopatias, doenças metabólicas e endócrinas, doenças respiratórias, disfunções reprodutivas, dor, além de efeito calmante, agindo em distúrbios psicológicos como ansiedade, agressividade, fobias e insônia.


Atualmente a acupuntura veterinária vem tratando diversas espécies, dentre elas podem ser citados caninos e felinos domésticos, equinos, animais silvestres e animais de produção como vacas leiteiras.


“Durante toda a graduação na medicina veterinária sempre senti interesse em terapias mais naturais, além disso, senti uma necessidade muito grande de poder observar o animal de forma mais integrativa, resgatar aquela medicina tradicional onde o médico realmente sentava com o paciente, dava seu tempo e sensibilidade a saber a maior quantidade de informações possíveis. Na medicina veterinária não conversamos com os pacientes como é possível na medicina humana e, sim, com os tutores, porém com a medicina tradicional chinesa temos a possibilidade de identificar padrões através de características naturais dos animais” pontua.


“Costumo dizer que durante as sessões eu tenho responsabilidade em deixar no mínimo cinco indivíduos bem. Isso porque o tratamento no animal envolve sentimentos de várias outras pessoas que moram com ele. Essa responsabilidade faz com que cada vez mais eu procure ser uma médica veterinária sensível e inteiramente dedicada ao que me propus”, revela Gislany.


 


Tratamento quiroprático


 

Maykon Bernardo, acupunturista e quiropraxista


Esta terapia consiste na prática de diagnóstico e terapia manipulativa contra problemas do sistema neuro-músculo-esquelético. O objetivo do método é avaliar, identificar e corrigir as subluxações vertebrais e os maus funcionamentos articulares, que podem causar irregularidades no mecanismo da coluna e na função neurológica.


“Sempre digo que enquanto tiver um público com dor, sempre teremos pacientes. A procura por este tipo de tratamento se mantém regular”, revela Maykon Bernardo, acupunturista e quiropraxista, com consultório em Criciúma.


Em vez de prescrever medicação, o profissional de quiroprática busca o funcionamento correto da mecânica do corpo e a nutrição adequada. “O objetivo é corrigir a causa do problema e não os sintomas”, conta Maykon.  Dentre as indicações estão dores na coluna lombar, hérnia de disco e dor ciática, dores no pescoço, dores e tensão muscular, problemas nas articulações do ombro, cotovelo, punho, joelho, tornozelo e restrições a movimentações.


 


Ventosaterapia


 

Luziane Bianco Rodrigues, acupunturista.

 


A técnica da ventosaterapia é muito antiga e se expandiu em diferentes culturas. Foi utilizada primeiramente com os chifres de animais, depois iniciou-se o uso de bambus, posteriormente vieram os copos de vidro e atualmente os copos de acrílico. O vácuo formado pela sucção da pele e a musculatura para dentro da ventosa promove o aumento de sangue no local aplicado. Este processo gera liberação de toxinas existentes no sangue e ainda favorece a nutrição de músculos, nervos, tendões e articulações, aliviando as tensões e dores locais.


As manchas formadas pela sucção também funcionam como sinalizadores de focos inflamatórios, assim o sistema imunológico consegue identificar os locais mais necessitados de auxílio e recuperação. As manchas podem apresentar coloração diversa. Quanto maior nível de inflamação ou toxinas no sangue, mais intensa a coloração.


“A vantagem do uso da ventosaterapia com os princípios da Medicina Tradicional Chinesa é poder selecionar os pontos de acupuntura e usar as ventosas no lugar das agulhas como o mesmo fim terapêutico de promover equilíbrio energético do paciente. Em 2016, o nadador Michael Phelps, nas olimpíadas, fez uso da ventosaterapia para o tratamento das costas e do ombro direito, onde aumentou a procura dessa técnica no Brasil. Mas, ainda há muito preconceito devido às manchas, as pessoas acham que a técnica gera hematomas e dor. Pelo contrário, as manchas são promovidas justamente para que o próprio corpo reaja contra a dor”, revela Luziane Bianco Rodrigues, acupunturista com consultório em Orleans.


Na terapêutica utiliza-se a ventosaterapia frequentemente para dor muscular, dor na coluna, artrite, tratamento de dor em geral, estresse, ansiedade, depressão, fadiga, alergias, asma, problemas de pele, prisão de ventre, também é utilizado no tratamento estético para a celulite por meio de mobilização da gordura localizada. A ventosaterapia regula e melhora as funções do sistema nervoso e imunológico.


Moxabustão


Conforme aponta Luziane, a Moxabustão é uma técnica terapêutica milenar originada do Norte da China. Pelos datados históricos da Medicina Tradicional Chinesa, acredita-se que seja utilizada anterior à acupuntura. Essa técnica é conhecida como acupuntura térmica ou longo tempo de aplicação do fogo.


A moxabustão é realizada com o aquecimento de pontos de acupuntura, através da queima da erva artemísia. Na China, ela é fabricada até hoje. As folhas da artemísia são lavadas, secadas, trituradas e peneiradas, até transformarem-se em uma massa uniforme, semelhante a uma lã vegetal, chamada de moxa. Após preparada, a moxa é moldada em forma de um bastão, o que facilita aplicação no ponto de acupuntura.


O terapeuta acende o bastão, o coloca no ponto de acupuntura, a aproximadamente  dois dedos de distância da pele para evitar o risco de queimaduras. O tempo de espera até esquentar o local define a deficiência de energia do ponto estimulado. Quanto maior tempo de espera, maior a necessidade de energia do ponto de acupuntura.


Na terapêutica pode-se citar uso frequente para dores crônicas na coluna, articulares, reumatológicas, musculares ou tensionais. Também é indicaa para depressão, ansiedade, insônia e estresse, assim como dores abdmoniais, diarreias, cólicas menstruais, infecções urinarias, incontinências entre outros desequilíbrios. 


29/09/2017  às 11hs03