02/09/2014  às 10hs48

Política

Debate entre presidenciáveis é marcado por críticas mais duras de Dilma a Marina

Cenário mudou depois que pesquisa revelou empate nas intenções de voto entre as candidatas no primeiro turno, e vitória da representante do PSB no segundo


Foto: Nelson Almeida / AFP

Foto: Nelson Almeida / AFP

O primeiro debate entre as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) após a divulgação do empate das presidenciáveis em pesquisa do instituto Datafolha, onde ambas tiveram 34% das de intenções de voto para primeiro turno, foi marcado porcríticas mais duras da presidente à representante do PSB. O evento, promovido pela Folha de São Paulo, UOL, SBT e Jovem Pan, foi realizado nesta segunda-feira nos estúdios da emissora de televisão.

Com 15% das intenções de voto no levantamento, o candidato Aécio Neves (PSDB) seguiu a mesma estratégia do primeiro debate, em que reservou suas críticas ao atual governo. Já os representantes dos partidos nanicos, Eduardo Jorge (PV), Pastor Everaldo (PSC), Levy Fidelix (PRTB) e Luciana Genro (PSOL), alternaram entre a reafirmação da ideologia de seus partidos e a distribuição da artilharia entre os três principais candidatos.

"O debate consolidou esse novo quadro, onde Marina assumiu plenamente a condição de protagonista da oposição, e não mais um modelo de terceira via. Dilma mostrou que sua candidatura sentiu o golpe. Ficou claro, nas colocações dela, que o alvo direto é Marina",  explicou o cientista político Fernando Schüler.

Segundo o especialista, a nova linha de Dilma agora é acentuar a inexperiência da adversária. Um exemplo foi quando a presidente afirmou a Marina que ela “fala, fala, e não diz nada”, após questioná-la sobre de onde sairiam as verbas para tornar aplicáveis promessas como destinar 10% do orçamento federal à educação.

Em sua primeira pergunta, Aécio questionou ao candidato Eduardo Jorge se ele achava que o atual governo fracassou na política econômica, mostrando que seguiria a linha de críticas ao PT apresentada no primeiro debate. "O que nós temos que fazer, em primeiro lugar, é controlar a inflação, que corrói os salários, e fazer o Brasil voltar a crescer", afirmou o candidato do PSDB.

De acordo com Schüler, a saída de Aécio do ataque direto do atual governo pode favorecer sua campanha. "Neste debate, ficou claro que Aécio passa a assumir uma curiosa opção de terceira via, que antes era ocupada por Marina. Ele foi menos atingido e teve mais liberdade para se colocar de uma maneira mais simpática", relatou o cientista político. 

Sobre os outros candidatos, Schüler relatou que eles tornaram a apresentar jargões ideológicos, como no primeiro debate, e enaltecer o discurso do “eu contra todos”, o que interpreta como “purismo”.

Diário Catarinense


02/09/2014  às 10hs48