02/07/2016  às 08hs25

Religião

Dom Paulo Evaristo Arns celebra 50 anos de ordenação episcopal

Solenidade será realizada hoje na Catedral da Sé, em São Paulo, com a presença de autoridades e familiares


Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Natural de Forquilhinha, o Cardeal Paulo Evaristo Arns, hoje com 94 anos, faz história dentro e fora no país não só por sua atuação dentro da igreja, mas também por sua colaboração no cenário político do país, sendo uma das grandes personalidades que atuou na defesa dos torturados na ditadura. Neste final de semana o religioso, que é arcebispo emérito de São Paulo, completa 50 anos de ordenação episcopal com celebrações especiais na Arquidiocese do Estado, com destaque para a solene celebração eucarística no dia 2 de julho, às 10h, na Catedral da Sé. Saindo de Forquilhinha para prestigiar a solenidade, a sobrinha Lilian Arns e a irmã do arcebispo, Irmã Maria Helena Arns, viajaram na nesta sexta-feira.

A comemoração oficial de cinco décadas de ordenação episcopal é no domingo, dia 3, porém a missa principal será realizada no sábado sob comando do Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo Metropolitano de São Paulo.

Contribuição de fé e esperança

Conforme relatou em entrevista ao documentário “Dom Paulo Coragem e Fé”, do site Memórias da Ditadura, Dom Paulo guarda boas recordações do tempo que viveu no Sul de Santa Catarina. “A minha vida em Forquilhinha foi uma vida normal de criança só que eu tive o privilégio de nascer entre quatro meninas. Uma mais velha que eu e três mais novas. A gente brincou junto a vida inteira até os 12 anos, quando fui para o seminário. Além disso, outra coisa boa na terra onde eu nasci foi a escola”, comentou.

Sobre sua família, o religioso destacou as características dos pais, mostrando que eles também foram os responsáveis por seu caminho de dedicação ao próximo. “Papai era muito calado. Não teve nenhum dia de aula na vida porque teve que começar a trabalhar cedo, mas ele ia cuidar do pai dele que era doente de cama e foi assim, com ele, que aprendeu a ler e escrever. No final da vida ele lia um livro por dia”, lembra. Sobre a mãe, que teve cinco anos de estudo, as principais lembranças são com relação ao capricho na caligrafia e as longas cartas que escrevia pra lhe enviar enquanto estava no seminário. O forquilhiense é irmão de Zilda Arns, que morreu no Haiti vítima do forte terremoto que destruiu parte do país, em 2010

 

Trajetória de dedicação

Após ser ordenado sacerdote em 1945, foi estudar em Paris, onde se formou em estudos brasileiros, latinos, gregos e literatura antiga. Foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 1960 e 1970. Nesse período, se destacou por sua luta política contra as torturas praticadas pela ditadura, para que documentos não fossem eliminados, e também a favor do voto, no movimento Diretas Já.

Ao se deparar com casos de tortura, conforme informou no documentário citado, Dom Paulo sentiu que precisava tomar uma atitude. “Com o Ato Institucional número cinco começou sobretudo a tortura sistemática e, quanto percebi isso, logo pensei: temos que ajudar as famílias que estão sofrendo e elas vinham mesmo”, comentou. Ao ver a demanda de atendimento aumentado, o religioso mobilizou um grupo de pessoas para formar uma comissão focada em buscar a justiça e a paz.  Conforme o jornalista Ricardo Kotscho, tal grupo passou a servir como ponte entre a sociedade e a luta pelos direitos em momentos de conflito.

Documentário especial

Neste sábado, às 11h, a Rádio Som Maior irá reproduzir o documentário produzido pelas acadêmicas Camila Brozowski e Francisca Daltoé pelo curso de Jornalismo da Faculdade Satc. Com pouco mais de 16 minutos de áudio, o documentário “Dom Paulo Evaristo Arns: história de luta, resistência e fé” traz ricos detalhes sobre a trajetória do religioso e sua brava atuação no período de Ditadura Militar.

Estudando a fundo a história de vida do conterrâneo, Francisca pôde incluir mais uma personalidade em sua lista de grandes ídolos. “Ao término do trabalho eu percebi como é importante valorizar as histórias de pessoas da nossa região, conhecer mais a fundo as histórias e não ficar só no que é superficial. Eu achava que ele era só um religioso, mas descobri que é uma das pessoas mais importantes do Brasil. O que ele fez todo mundo deveria conhecer, pois tem muito a ensinar para todo mundo”, disse.

Para Camila, que é moradora de Torres, foi uma grande surpresa poder se aventurar nas histórias de Dom Paulo ao fazer o trabalho acadêmico. “Eu não conhecia esse grande homem que é da nossa região e tive a oportunidade através do nosso estudo. Creio que a igreja e os próprios meio de comunicação precisam valorizar mais histórias inspiradoras como essa”, comentou.

Dom Paulo Evaristo Arns terá sua história contada em um documentário de responsabilidade do jornalista Ricardo Carvalho. A estreia do material está prevista para o dia 14 de setembro, data em que o religioso completará 95 anos. Em sua passagem pela região, Carvalho entrevistou as acadêmicas e a família do homenageado.

Clicatribuna /Mayara Cardoso


 


02/07/2016  às 08hs25