09/08/2019  às 13hs00

Geral

Em 20 anos, seis acidentes com morte são registrados em minas de Lauro Müller

Nesta quarta-feira, dia 7, a morte do mineiro Tiago de Souza, 32 anos, comoveu os moradores da cidade.


Em maio de 2008, uma explosão na mina Novo Horizonte vitimou dois operários - Foto: Ulisses Job / Arquivo / Agência RBS

Em maio de 2008, uma explosão na mina Novo Horizonte vitimou dois operários - Foto: Ulisses Job / Arquivo / Agência RBS


Os moradores de Lauro Müller se comoveram, nesta quarta-feira, dia 7, com a morte de mais um mineiro. Tiago de Souza, 32 anos, exercia as funções de operador de perfuratriz e de furador de teto e era um mineiro experiente, com mais de 10 anos de profissão. A fatalidade ocorreu no turno que iniciou às 23 horas de terça-feira, dia 6, e os trabalhos ainda não haviam sido iniciados, apenas os preparativos.


Ele morreu em função de um desplacamento de teto. Conforme o presidente do Sindicato dos Mineiros de Lauro Müller, Ademir Delfino Antunes, o Tuti, apesar de ele estar no local indicado, na área de segurança, onde o teto não apresentava risco, a pedra caiu à sua frente e tombou, atingindo Tiago e o esmagando na região do tórax.  Ainda segundo o presidente, a pedra media aproximadamente um metro de largura, dois metros de comprimento e 20 centímetros de altura, pesando por volta de 400 quilos.


Em um primeiro momento, os colegas de turno retiraram a pedra de cima dele. Ele foi então imobilizado e socorrido pela equipe especializada da empresa até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o encaminhou ao hospital com hemorragia interna e fratura de costelas. Recentemente, uma pedra já havia atingido Tiago, deixando-o afastado do trabalho pelo período de três meses. Ele retornou na última quinta-feira, dia 1. Menos de sete depois, sofreu um novo acidente e, desta vez, não resistiu. Ele deixou esposa e filha. Tanto o velório quanto o sepultamento ocorreram nesta quarta-feira, dia 7.


Durante toda o dia, nesta quarta, profissionais do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Sindicato dos Mineiros de Lauro Müller estiveram fazendo averiguações. Para preservar o local do acidente, o sindicato determina que a mina permaneça fechada pelo período de 24 horas. A reportagem tentou contato com a Carbonífera Belluno, que preferiu não se manifestar, tal como o Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina (SIECESC).



Um dos trabalhos mais perigosos


O presidente do Sindicato dos Mineiros de Lauro Müller explica que a questão de segurança é a maior luta da entidade. Em cada turno, há um diretor do sindicato, membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e técnico de segurança para a fiscalização. Além disso, todos os meses, o Sindicato de Lauro Müller baixa as três minas, vai nas empresas e fiscaliza. Orientações também são repassadas no início de cada turno para garantir a segurança e o uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs).


“Infelizmente, a mina oferece muito risco e, quando ocorre acidente, na grande maioria das vezes é grave, que podem resultar, inclusive em amputações, ou custar a vida. Ou seja, é um trabalho perigoso, apenas de todos os esforços realizados para garantir a maior segurança possível. Em uma escala de 1 a 4, a mineração apresenta risco grau 4, segundo classificação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)”, informou Tuti. Em Lauro Müller, há 982 trabalhadores, duas carbonífera e três minas em atividade.


Histórico das fatalidades em minas de Lauro Müller


Em Lauro Müller, há 982 trabalhadores, duas carbonífera e três minas em atividade. A Carbonífera Catarinense completou 20 anos de atividade na cidade nesta semana. Neste período, conforme o Sindicato dos Mineiros do município, foram quatro acidentes fatais e cinco mortes. Na Belluno, em pouco mais de 10 anos de atuação em Lauro Müller, este foi o primeiro acidente fatal.


Em maio de 2008, uma explosão na mina Novo Horizonte vitimou dois operários. O acidente ocorreu durante a madrugada e os corpos foram localizados somente no início da tarde. Coforme registro do site UOL Notícias, havia 27 trabalhadores no local. Além das duas vítimas fatais, sete foram hospitalizados. O operador de máquinas Lorenin Hoffmann, 34 anos, o mecânico Genivaldo da Silva, 33 anos, morram no acidente.


Já em junho de 2014, conforme informações do Portal Sul in Foco, um mineiro eletricista da Carbonífera Catarinense morreu eletrocutado. Jadson Vieira, de 23 anos, levou o choque de 13 mil volts, enquanto desligava uma chave na rede elétrica de alta tensão, no pátio da empresa, localizada em Guatá de Baixo. Em janeiro deste ano, Fabrício Bonfante Moreira, de 34 anos, também não resistiu aos ferimentos ao ser atingido por uma pedra em uma mina em Lauro Müller. Em setembro de 2018, Cid Henrique Luciano, de 29 anos, foi atingido na cabeça também por uma pedra, e perdeu a vida.


Redação Notícias JH


09/08/2019  às 13hs00