31/03/2021  às 11hs20

Saúde

Em caso de colapso na saúde, médico explica que são priorizados os que têm mais chance de sobreviver


Foto: Divulgação

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A razão da incidência cada vez mais frequente da forma mais grave da Covid-19 entre pessoas jovens e sem comorbidades foi o tema da entrevista com o médico e enfermeiro Roger Costa da Silva nesta quarta-feira, dia 31, no Jornal da Guarujá. O profissional explica que existem alguns fatores que influenciam nisso.


"Essa nova variante do coronavírus infecta muito mais, ela tem uma virulência maior, uma capacidade que se replicar muito mais rápido que a primeira cepa, que estávamos acostumado na primeira onda. Quando surge essa segunda onda em Santa Catarina, que foi extremamente dramática, no começo de março de 2021, passa a ser por conta dessa variante. Acima de 60% dos infectados em São Paulo, por exemplo, já é desta nova variante. Em alguns locais, acima de 70%", explicou.


Além disso, segundo ele, a falta de cuidados de prevenção é um grave problema. "As populações idosas começaram a se cuidar mais e as mais jovens começaram a se expor mais ao risco e ao vírus de forma indevida, fazendo aglomerações, não utilizando máscara, não fazendo a higienização das mãos também. Somado a isso, há um fator muito grave. Quando há uma pandemia, se faz necessário que, a cada 5 mil habitantes, tenha um leito de UTI para aquela doença em específico. Santa Catarina, com poucos mais de 7,2 milhões de habitantes, tem apenas um leito de UTI Covid-19 para 10 mil habitantes. Então hoje temos um déficit de 700 leitos de UTI para coronavírus", informou.


O profissional aponta que isso fez com que o sistema de saúde do Estado ficasse colapsado. "Chegou ao ponto de não termos nenhum leito de UTI disponível até algumas semanas atrás. Estava extremamente desgastante para os profissionais, porque precisariam começar a selecionar o paciente que seria intubado e aquele que teria que ficar, infelizmente, aguentando sem um tubo até surgir uma vaga. As pessoas se assustam com isso, mas sempre existiu na medicina. A gente precisa priorizar aquela pessoa que tem mais chances de sobreviver. Então é necessário que as pessoas cobrem também do ambiente político. Não podemos desassociar a política deste momento de pandemia, pois, se temos um déficit de leitos de UTI para coronavírus, significa que se pecou e errou em algum momento", alertou.


Em relação à imunização para a nova cepa, o especialista conta que as notícias são positivas. "Os estudos que estão sendo feitos têm demonstrado que todas as vacinas, praticamente, são efetivas também para as variantes. Isso foi, na verdade, um alento pra gente da área da saúde, tendo em vista que a maior parte das pessoas que estão se infectando agora são por essa variante. Se a vacina não fosse efetiva contra ela, a gente viveria um novo pandemônio".


Confira a entrevista completa neste link!


31/03/2021  às 11hs20