Janaina Alberton

Olá, meu nome é Janaina Veronezi Alberton, filha de agricultores, fato do qual me orgulho muito. Sou formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Estadual de Santa Catarina-UDESC. Tenho pós-graduação em Gestão Ambiental e Mestrado em Ciências do Solo. Trabalho no Centro Universitário Barriga Verde-UNIBAVE na coordenação do curso de Agronomia.

Amo o cheiro dos campos, das plantações, da terra, e é por isso que estou sempre antenada ao que está acontecendo no meio rural. Me acompanhe aqui no Ligado no Sul e fique por dentro de tudo o que está acontecendo nesse meio tão inconstante e surpreendente!!

20/11/2015  às 14hs43

Feijão: o grão mais consumido pelos brasileiros


Foto: SEDRAF/MT

Foto: SEDRAF/MT

O feijão é cultivado no continente americano desde a antiguidade, e atualmente é uma das mais populares sementes usadas como alimento, sendo cultivado praticamente no mundo todo. Existem milhares de cultivares, que podem ser agrupados em tipos de acordo com a coloração, o sabor, a forma e o tamanho, como por exemplo, feijão-preto, feijão-carioca, feijão-branco, feijão-jalo, feijão-rajado, feijão-vermelho e feijão-rosinha, entre outros.

Este grão cru contêm a lectina, que é considerada uma substância tóxica, no entanto, o cozimento do feijão em alta temperatura elimina a lectina, deixando o consumo totalmente seguro. Embora seu consumo seja incomum, as folhas do feijoeiro também podem ser consumidas. As folhas podem ser consumidas cozidas ou refogadas, sendo que as mais jovens também podem ser consumidas cruas. O broto também é muito utilizado para saladas e outros pratos.

Para o cultivo, se deve observar alguns fatores, como: Clima:  A temperatura deve ficar entre 15°C e 30°C durante todo o ciclo de cultivo da planta, sendo que o ideal são temperaturas entre 18°C e 25°C. O feijão não suporta geadas e baixas temperaturas. Luminosidade: Necessita de alta luminosidade, com luz solar direta. No entanto, em regiões com maior intensidade de radiação solar, pode ficar parcialmente sombreado por plantas mais altas cultivadas na mesma área, como o milho. Solo: A cultura do feijão prefere solos bem drenados, férteis e ricos em matéria orgânica, com pH entre 5,5 e 6,5.

O feijão, normalmente, não consome muitos nutrientes, mas, considerando-se a fragilidade da planta e a precariedade do seu sistema radicular, o seu pequeno porte e o ciclo muito curto, é importante a existência, no solo de elementos nutritivos indispensáveis ao seu desenvolvimento. O feijão pode ainda, formar uma associação simbiótica com bactérias conhecidas como rizóbios, capazes de fixar o nitrogênio do ar no solo como amônia ou nitrato, podendo assim prover o nitrogênio necessário para a planta e ainda enriquecer o solo com este elemento. Antes do plantio, pode ser feita uma inoculação das sementes com estas bactérias, utilizando inoculantes encontrados no comércio.

O intempéries ambientais, como o vento, a temperatura, a umidade, etc., tem muita influência na ocorrência de moléstias e de pragas. Assim, na lavoura de feijão em época de seca, é comum aparecerem míldio, ferrugem e cigarrinhas; e em época chuvosa aparecem crestamento bacteriano, macrophomina, etc.

A presença de insetos transmissores é outro fator muito importante na propagação de vírus e de outras moléstias acima citadas. Nas áreas vizinhas às culturas de feijoeiros pode-se plantar milho para fazer barreira ou servir de quebra-vento, contanto que esteja livre de ervas daninhas hospedeiras para não constituírem focos de microrganismos patógenos. Deve-se também eliminar as sementes manchadas ou suspeitas de presença de qualquer elemento produtor de doenças. As pragas que normalmente atacam o feijoeiro são: cigarrinhas, mosca branca, ácaros, pulgões, tripses, percevejos, lagartas elasmo, vaquinhas, etc. As moléstias mais comuns são: ferrugem, míldio, mosaico comum, mosaico anão, mancha de levedura, antracnose, mancha angular, macrophomina, crestamento, podridão bacteriana, etc

Embora dependa das condições de terreno, considerando que o feijoeiro é uma planta de ciclo relativamente curto, o seu cultivo com duas capinas, manuais ou com ajuda de cultivador, pode assegurar boa colheita. É importante não esquecer que o bom preparo do terreno, antes do plantio, pode economizar possíveis capinas extras. A passagem da grade às vésperas do plantio é de grande importância para retardar a germinação das sementeiras de ervas daninhas.

Durante o cultivo, deve-se impedir a entrada no campo de implementos agrícolas ou de pessoas para realizar os tratos culturais nos dias chuvosos ou quando ainda as plantas estiverem molhadas. Com isso se evitará a propagação de moléstias. Se as condições técnicas e econômicas permitirem, deve-se usar um herbicida para eliminar por mais tempo a sementeira perniciosa, podendo muitas vezes suprir as capinas manuais ou com carpideiras.
Qualquer que seja a situação, se as ervas invasoras não forem combatidas até a época em que a folhagem do feijoeiro cubra o chão, a cultura será sensivelmente prejudicada em seu desenvolvimento e, por conseguinte, a produção de sementes

A colheita depende da variedade cultivada e das condições de cultivo, sendo feita geralmente de 80 a 100 dias após a germinação. As vagens que se encontram secas podem ser colhidas manualmente em plantações muito pequenas. Em plantações maiores, a colheita é realizada quando cerca de 90% das vagens se encontram secas, cortando ou arrancando as plantas, manualmente ou com o uso de máquinas específicas para isso. Também é possível colher antecipadamente, quando as vagens estão amareladas, e então deixar as plantas cortadas ou arrancadas secarem completamente ao sol.

Lembre-se sempre de procurar um engenheiro Agrônomo para auxiliar nas tomadas de decisões e na implantação das culturas. O feijão é mais uma alternativa para o produtor rural, mas as etapas e as regras de produção devem ser obedecidas para garantir o sucesso da cultura. E lembrem-se se você possui alimentos hoje, agradeça a um produtor rural.


20/11/2015  às 14hs43