15/10/2017  às 11hs23

Polícia

Golpe desvia cerca de R$ 13 milhões de banco; três são presos


Divulgação

Divulgação


Um golpe investigado pela Polícia Civil catarinense desviou cerca de R$ 13 milhões de uma instituição financeira. Três homens foram presos, como mostrou o NSC Notícias de sexta-feira (13). A Justiça recebeu a denúncia contra eles.


Dois dos três réus foram presos em flagrante em Itajaí em setembro. Eles estavam com R$ 700 mil em dinheiro saindo de uma agência bancária. Os dois já eram monitorados. No momento da abordagem, na saída da agência, R$ 600 mil estavam em uma mala e outros R$ 100 mil na cintura, dentro da calça, de um deles.


De acordo com a Polícia Civil, eles participavam de um golpe feito por uma quadrilha especializada em fraudes bancárias e com integrantes em vários estados. “As investigações estão indicando a conexão de pessoas no estado de Santa Catarina e especialmente no estado de São Paulo também”, afirmou o delegado Raphael Werling.


Esquema


Na fraude, um dispositivo ilegal é conectado em um cabo de rede do banco e emite um sinal de internet. Através dele, os criminosos conseguem criar uma conexão com um computador fora do banco.


Feito isso, a quadrilha então entra na rede e tem acesso ao sistema de pagamentos judiciais da instituição financeira.
Em seguida, alteram os dados dos pagamentos. Trocam o número da conta que deveria receber o dinheiro por outra de uma empresa cúmplice na fraude.


Mas, para fazer essa mudança, é necessário ter senha que só alguns funcionários do banco têm. A polícia ainda investiga como os suspeitos conseguiram ter o acesso.


Empresários aliciados


Depois de entrar no sistema do banco, a quadrilha aliciava empresários para participar do golpe. Eram para as contas deles que iria o dinheiro, que depois seria dividido com o bando.


Um desses empresários é Márcio Merfort, o que levava o dinheiro dentro da calça. Ele é dono de uma imobiliária em Balneário Piçarras, no Litoral Norte do estado.


“Colocaram o dinheiro na conta dele, e aí ele conseguia movimentar e fazer os saques dos valores. Porque uma imobiliária pode receber valores provenientes de transações imobiliárias lícitas. É natural que isso aconteça. Então eles encontraram uma oportunidade ali”, afirmou o delegado.


Comprovantes de resgate mostram que o dinheiro entrou na conta da empresa de Márcio, a Anabê Imóveis, mas ele nunca teve direito à quantia. O dinheiro veio do desvio de um pagamento judicial de um R$ 1,5 milhão destinado a uma outra empresa.


Junto com Márcio, também foi preso Alexandro Menon, apontado pela polícia como um dos líderes da quadrilha. Ele estava esperando no carro no dia do flagrante. Seria o responsável por aliciar os empresários que participavam do esquema.


“No nosso entendimento, não há prova alguma de fraude. Eles acreditavam que esse valor era um valor correto que tinha sido depositado para a compra de imóveis aqui no litoral de Santa Catarina”, afirmou o advogado Guilherme Ferreira, da defesa de Márcio e Alexandro.


Outros estados


De acordo com a polícia, crimes contra banco não são uma novidade para Alexandro. Ele já foi preso por arrombar caixas eletrônicos. Segundo a polícia, ele responde a processos por furto, falsificação de documento público e formação de quadrilha.


Em depoimento, um funcionário da instituição financeira disse que o esquema vem ocorrendo também em outros estados, principalmente São Paulo, e em Santa Catarina haveria um braço da quadrilha.


“Na medida em que eles encontram uma oportunidade de praticar uma fraude dessa monta, eles conseguem grande lucro sem ter que fazer um investimento pesado em armamento”, disse o delegado.


A fraude foi identificada pelo setor de inteligência do Banco do Brasil, que acionou a polícia. O prejuízo ao banco já chega a R$ 13 milhões. Por nota, o Banco do Brasil disse que recuperou 90% do dinheiro desviado pelos criminosos e que nenhum cliente foi prejudicado.


Prisão do terceiro suspeito


Há duas semanas, a polícia prendeu um terceiro envolvido na fraude e disse que foi ele que instalou o dispositivo na rede da agência que permitiu a fraude. Jorge Luis Krauel prestava serviço de assistência técnica para o banco.
“É tipo uma fonte, liga na tomada e liga o cabo de rede nele”, explicou Krauel.


Com informações do Portal G1 SC de notícias


15/10/2017  às 11hs23