10/05/2019  às 13hs50 - Atualizado em 10/05/2019  às 14hs05

Geral

História de força e superação que vêm do amor e da união

Ane foi diagnóstica com câncer mamário invasivo aos quatro meses de gestação e encontrou no amor às filhas, à família e à vida a coragem e felicidade necessárias para a luta contra a doença.


Foto: Robson Debiasi Fotografia

Foto: Robson Debiasi Fotografia


O diagnóstico do câncer mamário invasivo aos quatro meses de gestação, para muitas mulheres, poderia ser motivo para desespero e abatimento. Entretanto, Rosiane Mendes Leepkaln, mais conhecida por Ane, que reside em Orleans, reagiu de uma forma diferente e se tornou um exemplo de superação. Foi justamente no amor às filhas e à família onde ela encontrou a força para vencer a luta contra o câncer.


“A vida é uma caixinha de surpresas. Às vezes, você abre e não gosta ou não aceita o que está dentro, mas, muitas vezes, não tem devolução. É seu e você vai ter que aprender a conviver com a realidade de cada surpresa”, escreveu Ane em sua rede social no dia 27 de fevereiro. Exatos 35 dias antes, em 23 de janeiro, ela havia recebido o diagnóstico. “Meu mundo caiu naquele momento, mas foram instantes. Logo pensei: vou ser forte. E essa é uma palavra que venho usando muito ultimamente”, acrescentou.


Ane casou-se com Giuliano Leepkaln, o Giu, em setembro de 2017. Em julho de 2018, nasceu Luisa, a primeira filha do casal. Dois meses depois, ela engravidou novamente: Helena estava a caminho. A descoberta do câncer veio aos quatro meses de gestação. Em meio às dificuldades, veio a constatação: Ane ama a vida que tem e decidiu lutar por ela com felicidade. “Minha família é motivo suficiente para eu querer seguir em frente. Sei que alguns dias serão um pouco mais difíceis, com a rotina de exames e a falta de disposição, mas a alegria de viver, essa eu não vou perder. Só vou agradecer pelas coisas que conquistei, pela família abençoada que tenho e por essa vontade de viver”, declarou Ane desde então.


Da descoberta ao tratamento


Ela estava no banho quando fez o autoexame. “Eu sempre costumo fazer o toque enquanto estou no banho e naquele dia senti um nódulo. Eu até comentei com a menina que fez a biópsia que parece que ele havia crescido do dia para a noite, porque eu teria percebido antes. E ela respondeu que este é um dos sinais de que pode ser câncer”, contou. "A primeira reação que eu tive foi de pavor, principalmente por conta da gestação. Foram muitas dúvidas sobre como conciliar com o tratamento”.


Logo em seguida, ela e Giu consultaram especialistas, que os tranquilizaram. Em geral, o tratamento pode ser realizado após o primeiro trimestre de gestação. Além disso, Ane conheceu outros casos de mulheres que também fizeram quimioterapia e levaram a gravidez adiante. “Fiz vários exames e fazemos o acompanhamento semanal e, graças a Deus, tudo tem ocorrido bem. Saber que vou continuar o tratamento sem afetar ela me dá uma tranquilidade muito grande", comemorou. Até o momento, já foram realizadas quatro sessões de quimioterapia vermelha e quatro de quimioterapia branca, que são semanais. Ainda há pela frente mais oito semanais.


A previsão é que Helena nasça em 14 de junho. Após o parto, se faz necessário ficar 30 dias sem quimioterapia. Posteriormente, o tratamento será reiniciado e, um mês depois, será realizada a mastectomia, que é a cirurgia de retirada total ou parcial da mama. O tratamento com quimioterapia é possível porque as células que compõem a placenta protegem o feto. A amamentação, entretanto, não será possível. "O importante é que minha filha está bem. Quando me perguntam como consigo ter tanta força, essa é a resposta. É pensar que ainda preciso agradecer. Tem pessoas que não conseguem ser mãe ou que passam por problemas na gestação. Dou graças a Deus por poder ser mãe e ter a minha família", afirmou.


Foto: Robson Debiasi Fotografia

A força de vontade que inspira


Ane já está no oitavo mês de gestação e continua trabalhando em sua loja, a TR Presentes, localizada em Urussanga, conciliando com o tratamento e os cuidados com Luisa. “Nesta semana, de Dia das Mães, que é de bastante movimento na loja, eu continuo trabalhando. Eu sinto prazer no que eu faço. Mas vou sempre conciliando. Na semana que vem, terei consultas e exames, então vou tirar este tempo para mim. Vou fazendo tudo conforme o meu ritmo, a minha disposição. Respeito o meu tempo. Não vejo como uma obrigação trabalhar. Eu vou porque é um prazer. Eu gosto de estar em contato com as pessoas. Não me faz bem ficar em casa sem ter o que fazer”, ressaltou.


Foi justamente em meio à reforma da loja e aos preparativos da reinauguração que a doença foi descoberta. “Na hora, pensei: 'será que vou conseguir?'. Mas depois vi que não iria interferir em nada. E foi assim mesmo. Não houve nenhuma mudança e eu continuo fazendo meus planos normalmente. Só que agora de uma maneira diferente. Eu e o Giu passamos a dar mais prioridade às coisas simples, mas que possuem um maior significado. Ficamos mais tempo com a família, passeamos, passamos mais tempo juntos. Aproveitamos, vivemos. Afinal, não sabemos o dia de amanhã. Eu já sou muito feliz e realizada com a vida que tenho, mas a doença veio para transformar as nossas vidas. Fez com que refletíssemos mais sobre o valor que têm as pessoas que amamos”, destacar.


“A vida continua”. Ane conta que este é o pensamento que busca ter sempre em mente para viver dia após dia com disposição. “São nestes momentos difíceis que descobrimos que somos muito mais fortes do que pensávamos. Eu me sinto muito forte. Sempre brinco com minha família que não quero ser um fardo. E realmente, nem devo ser. Para mim, a doença não foi motivo para me fragilizar ou reclamar. Não posso fazer isso, tenho um bebê para cuidar, tenho o meu marido, meu trabalho, família, pessoas que me amam e querem me ver bem. Eu gosto da minha vida. Então penso que tudo vai passar. Ano que vem, meu cabelo vai crescer novamente e eu vou ter mais disposição para cuidar das minhas filhas. Esta é só uma fase”.


É por isso que, apesar da batalha vivida, Ane só encontra motivos para agradecer. “Tem dias que não estou tão bem, que sinto mais cansaço e indisposição. Mas eu não sinto nem dor e nem enjoo. Então eu agradeço, porque, para o cansaço, basta descansar. O que importa e o que me deixa muito grata a Deus é que eu sinto vontade de lutar, de viver. Sinto vontade de fazer as coisas e consigo fazer. Quando não consigo, diminuo o ritmo, mas não desisto. A única coisa que me incomoda é não ter tanta força para segurar e brincar com minha filha. Mas são apenas algumas limitações e eu faço dentro do que posso, porque é estar com ela que me dá mais vontade de vencer. A Luisa e a Helena me dão muita coragem. Eu agradeço por elas terem saúde. Elas são minha motivação. Olhar o sorriso e felicidade da Luisa e esperar pela Helena só me dá mais vontade de superar tudo isso”, contou.


A superação vem com a união


“O câncer fez com que as pessoas ao meu redor se unissem mais, porque todos passaram a enxergar a vida de outra maneira”, observou. Ela conta que a doença levou à reflexão sobre os pequenos problemas, que, muitas vezes, recebem mais importância do que deveria. “Estamos acostumados a viver no automático e não nos damos conta de que há tantos problemas mais graves. Muitas vezes, eu que tive que tranquilizar as pessoas, dizer que eu estava e estou bem. E acho que elas se fortalecem me vendo forte”.


Levar a vida com otimismo e com fé tem sido a forma como Ane e a família enfrentam dia após dia. A mãe de Ane, Terezinha Amadeu, tem três filhos e, além de Luisa, tem um neto com 20 anos de idade. Ela se diz muito orgulhosa da trajetória da filha e acredita que a relação entre elas está ainda mais fortalecida. “Temos que ser fortes e aceitar o que Deus manda. Ela passa bastante tranquilidade para nós, pois tem muita força. Grávida, fazendo quimioterapia, com um bebê e trabalhando, sempre com um sorriso no rosto. Ela é muito guerreira. Eu faço tudo o que posso para ajudar ela e cuidar da Luisa, quero estar sempre perto delas. Ela sempre foi muito guerreira, desde pequena. Então a reação dela não nos surpreendeu. O fato de ela não ter se abatido ajuda muito quem está ao redor dela. Tudo o que temos passado foi um grande aprendizado. Acredito que se não há luta, não há vitória”, destacou.


O esposo Giu, por sua vez, conta que a companheira e ele são ainda mais parceiros depois de tudo o que enfrentaram juntos, e que o amor e a admiração por ela só aumentaram. “Depois da doença da Ane, ficamos mais unidos e ainda mais apaixonados. A dedicação dela para com a família e com o trabalho diante dos problemas de saúde que estávamos enfrentando me deixaram ainda mais surpreso e orgulhoso. Ela é uma mulher maravilhosa que me surpreende a cada dia com sua coragem e inteligência. A cada dia fico mais apaixonado por ela e meu orgulho em dizer que ela é minha mulher só aumenta. Mãe e mulher incomparável!”, declarou.


Para a sogra, Ceia Damazio, o sentimento por Ane não é diferente. “Já ganhamos a Luisa de presente e agora vem a Helena. E elas vieram para fortalecer a Ane neste momento. No dia seguinte ao casamento, ela já sonhava em ter filhos. Tudo é obra de Deus e tem um propósito. Sempre fomos unidos, mas tudo isso veio para nos unir ainda mais. Ela sempre foi muito guerreira, mas a disposição e força dela ainda nos impressiona. Ela é mãe, esposa, empresária, filha e nora exemplar. O cabelo para ela nunca foi problema. Isso costuma ser difícil para muitas mulheres, mas ela não se abateu. Ela não interrompeu os planos de inaugurar a loja, continuou trabalhando e continuará até o fim da gestação. Ela encarou tudo com muita positividade e fé. A história dela é de superação e nos dá muito orgulho. Tenho muito amor e admiração pela nossa Ane”.


Redação Notícias JH


10/05/2019  às 13hs50