25/06/2019  às 11hs31

Geral

Júri popular do acusado de matar professor indígena é realizado em Balneário Piçarras

Com faixas, parentes e amigos protestaram em frente ao fórum na manhã desta terça-feira (25). Segundo a denúncia do MP, a vítima foi atingida por mais de vinte golpes de madeira.


Foto: Luiz Souza/NSC TV

Foto: Luiz Souza/NSC TV


O juri popular de Gilmar César de Lima, 24 anos, acusado de matar o professor indígena Xokleng Marcondes Namblá, de 38 anos, é realizado na manhã desta terça-feira (25) em Balneário Piçarras, no Litoral Norte catarinense. O crime ocorreu na madrugada do Ano Novo de 2018, em Penha.


Namblá foi vítima de um espancamento com um pedaço de madeira e morreu um dia após internação, em 2 de janeiro. Ele era da aldeia de José Boiteux, no Vale do Itajaí, e vendia picolés no verão no litoral para conseguir renda extra. Gilmar foi preso 13 dias após o crime.


O julgamento começou às 9h40, no Fórum de Balneário Piçarras, e tem previsão de seguir por toda a tarde. O Tribunal do Júri é presidido pelo titular da 2ª Vara da Comarca, o juiz Luiz Carlos Vailati Junior.


Com faixas, parentes e amigos protestaram em frente ao fórum. "Foi uma tragédia o que aconteceu. A gente se mobilizou em solidariedade à família", diz o primo da vítima, Gedevaldo Moconar.


A viúva Cleusa Namblá afirma enfrentar dificuldades com os cinco filhos. "Está difícil porque ele ajudava a criar. Agora minha mãe ajuda. Ela que está cuidando de mim e dos meus filhos. Amigos e família também ajudam e tem a pensão que eu ganho, mas para cinco filhos é muito pouco", lamenta.


Denúncia


Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o professor foi atingido por mais de vinte golpes de madeira, principalmente na cabeça. Câmeras de segurança flagraram a agressão.


Por isso, o MPSC sustenta que o homicídio teria sido praticado por motivo fútil, um desentendimento por causa do cachorro do réu. Além de recurso que dificultou a defesa da vítima, pois o réu teria aproveitado que a vítima estava caída no chão por causa das agressões anteriores, para dar golpes finais no indígena.


"Vamos tentar descobrir a motivação, que não existe nos autos. A análise das câmeras leva a pensar que foi premeditado. É possível imaginar também que havia talvez outras pessoas interessadas na morte do indígena", diz o assistente de acusação, Dagoberto Azevedo Bueno.


Versão da defesa


Já o advogado de defesa, Jeremias Felsky, tenta sustentar a ausência das duas qualificadoras, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima, com base no desentendimento anterior entre o réu e a vítima por causa do cachorro de estimação do réu.


"O evento lamentavelmente ocorreu. Vamos discutir o grau de culpabilidade. Até onde existia a vontade de praticar o crime. Tentar provar que houve um lamentável incidente em que ambos contribuíram de alguma forma."


Crime


Segundo informou o Corpo de Bombeiros na época, a vítima foi atendida quando já estava inconsciente, com ferimento profundo na cabeça e suspeita de traumatismo craniano. O indígena foi levado imediatamente para pronto atendimento de Penha.


Em seguida foi encaminhado ao Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, onde foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). O indígena passou por três cirurgias, mas não resistiu e morreu no início da noite de 2 de janeiro de 2018, um dia após as agressões.


Namblá era do povo Laklãnõ-Xokleng, da Terra Indígena Laklãnõ, do município de José Boiteux. Era professor formado pela UFSC, ensinava crianças de tribos indígenas e pretendia cursar mestrado.


 


Com informações do Site G1/SC.


25/06/2019  às 11hs31