06/12/2019  às 14hs55

Política

"Meus adversários querem me derrubar, mas a Justiça mostrará o que o povo já sabe"

A afirmação é do prefeito Valdir Fontanella, a respeito de operação deflagrada. Segundo ele, denúncias foram realizadas sem que tivesse a oportunidade de apresentar uma defesa prévia.


Foto: ASCOM PMLM

Foto: ASCOM PMLM


“O que me entristece como ser humano, empresário, representante público e lauromüllense é ver anos de uma reputação ilibada, de muito trabalho e suor, estar gerando desconforto aos cidadãos de Lauro Müller, aos amigos e familiares”. Esta foi a declaração do prefeito Valdir Fontanella a respeito da operação deflagrada na manhã desta segunda-feira, dia 2. “Deixo claro que essa é apenas uma denúncia e que não respondo a nenhum processo e nem estou sendo indiciado por nenhum mal feito”, esclareceu.


Segundo o empresário e político, foram realizadas denúncias sem que ele tivesse a oportunidade de apresentar uma defesa prévia. “Estou certo de que se isso tivesse ocorrido, tudo já seria esclarecido”, afirmou. Na ocasião, nove mandados judiciais foram cumpridos pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, juntamente com o Grupo Especial Anticorrupção (GEAC) e o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), na operação intitulada "Seguindo Rastro", em Lauro Müller, Orleans, Criciúma e São José.


Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos por promotores de Justiça, policiais militares, civis e rodoviários federais nas cidades envolvidas. O Instituto Geral de Periciais (IGP) também acompanhou as diligências. Com foco em documentos, planilhas e contratos armazenados digitalmente, equipes do IGP realizaram cópias de dados armazenados em computadores, servidores de rede e dados de celulares em locais onde os mandados foram cumpridos. Após processamento dos materiais e confecção dos laudos, o conteúdo será enviado para análise do Ministério Público. Na investigação, são apurados possíveis crimes de fraude a licitações, peculato, corrupção ativa e passiva por agentes públicos e empresários no Município de Lauro Müller.


A Justiça determinou também o afastamento do prefeito de Lauro Müller das suas funções por até 180 dias. A assessoria jurídica já entrou com recurso para reverter tal decisão. O vice-prefeito eleito, Pedro Barp Rodrigues, assumiu o Executivo Municipal. Em comunicado encaminhado à imprensa, o MPSC afirmou que a operação tramita sob sigilo e que informações mais detalhadas não podem ser repassadas. Sobre o motivo, se limita a dizer que a investigação está relacionada à “contratação de empresas para fornecimento de serviços de horas-máquinas e execução de obras de engenharia pelo Município de Lauro Muller nos últimos três anos”.


Em nota de esclarecimento, o prefeito, por sua vez, disse que foi surpreendido com a chegada do Gaeco ao posto de combustíveis de propriedade de sua família e que colaborou com a operação. “Eram aproximadamente 5h45min. Eu, como todos os dias, levanto muito cedo para trabalhar e já estava no posto. Assim, a equipe do Gaeco se identificou e dei total liberdade para iniciarem sua busca de documentos. Ao mesmo tempo, outra equipe esteve em Criciúma, em uma de nossas empresas, efetuando as mesmas buscas. Logo foi a vez da Prefeitura de Lauro Müller, onde juntaram processos licitatórios que eram de interesse da investigação”, afirmou.


Além disso, Valdir Fontanella informou também que todos os processos licitatórios constam no Portal da Transparência à disposição de qualquer cidadão e que esses processos foram realizados por pregão presencial, sendo possível que qualquer empresa se fizesse presente para dar lances de preços, impossibilitando de qualquer forma o direcionamento das licitações. “O que dar-se a entender é que a investigação apura os serviços prestados por empresas ao município e de que tais empresas seriam de nossa propriedade ou ligada a nós”, explicou.


Contudo, o empresário e político alegou que ainda não tive acesso à investigação e que não teve a oportunidade de se defender previamente. Ele será ouvido somente nesta sexta-feira, dia 6. “Já me pronunciei expressamente às autoridades, que desejo, com toda firmeza e transparência, prestar todos os esclarecimentos necessários”, reforçou. “Neste momento, ainda não entendi o motivo de meu afastamento. Busco desde ontem ter acesso à investigação. Porém, garanto-lhes de que provaremos nossa inocência no curso destas investigações”, acrescentou.


Por fim, Valdir Fontanella se colocou à disposição para quaisquer esclarecimentos. “Agradeço a atenção, sigo em frente, com confiança, a fé em Deus e a certeza de um trabalho exemplar. Estou à disposição do Ministério Público, Gaeco e a qualquer órgão para esclarecer e buscar resolver o quanto antes esta situação. Estou entrando com todos os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de prefeito e continuar administrando Lauro Müller no caminho do progresso, juntamente com a força de todos os cidadãos”, concluiu.


Trabalhos continuam


Pedro Barp Rodrigues, que assumiu desde segunda-feira, dia 2, como prefeito de Lauro Müller, afirmou que, apesar da surpresa ao tomar conhecimento da operação, o fato de estar à frente do Executivo não mudará em nada os rumos dos trabalhos. Além disso, esclareceu que se trata de uma investigação e que a apuração dirá se a denúncia tem fundamento ou não, mas que segue com a consciência tranquila. “Quem não deve não teme”, completou.


"Não tenho conhecimento de detalhes da investigação, apenas o que foi divulgado à imprensa. O afastamento deve permanecer até que eles consigam todos os documentos que precisam e, por isso, acredito que ele deva retornar em breve. Enquanto isso, daremos sequência aos trabalhos. Já me reuni com os servidores e secretários e deixamos claro que nada mudará, independentemente do tempo em que eu ficar. Os trabalhos estão acontecendo e continuarão, a única coisa que mudou foi o gestor e quanto a isso já estou bastante acostumado, pois, nestes três anos de mandato, já assumi como prefeito dez vezes, algo inédito em Lauro Müller e também na região”, declarou.


Sobre Valdir Fontanella


Valdir Fontanella, 62 anos, nasceu na comunidade de Vargem Grande, interior de Lauro Müller. É o nono dos dez filhos. Sua história no trabalho iniciou na agricultura para ajudar os pais no sustento da família. Para estudar, caminhava 12 quilômetros por dia. Mesmo com dificuldades, se formou técnico em contabilidade.


Aos 18 anos, Fontanella começou a trabalhar na madeireira dos irmãos, tornando-se sócio no ano 1980. Por sua ousadia, contrariou os familiares e comprou o primeiro caminhão. Juntos deram início à Fontanella Transportes, a maior empresa especializada em transporte cerâmico do Brasil, com matriz em Lauro Müller e 20 filiais no Brasil e uma frota de 750 caminhões, que resultam em aproximadamente 1,2 mil empregos diretos na Fontanella Transportes, além de outras empresas, tais como posto de combustível, restaurante e fabricação de descartáveis plásticos. Esta é a primeira vez que exerce um cargo político. Foi eleito em 2016, junto ao vice Pedro Barp Rodrigues, com 5.537 votos (51,74%).


Redação Notícias JH


06/12/2019  às 14hs55