12/04/2019  às 16hs46

Geral

Moradores realizam ato silencioso contra poluição gerada por empresa em Urussanga

A manifestação ocorreu na comunidade Rio Carvão, reunindo aproximadamente 40 pessoas; empresa afirma que está devidamente enquadrada na legislação ambiental.


Fotos: Divulgação

Fotos: Divulgação


Com a música "Planeta Azul" ao fundo, moradores das localidades de Rio Carvão Baixo e Rio Carvão Alto, com o apoio da Associação Comunitária de Rio Carvão (ACRIC), realizaram um ato silencioso em frente à empresa Urussanga Minérios, situada na comunidade de Rio Carvão, nesta segunda-feira, dia 8. A mobilização reuniu aproximadamente 40 pessoas. “O ato teve como objetivo mostrar indignação para com tanta impunidade e omissão dos órgãos responsáveis pela fiscalização desta ordem”, afirmou uma das organizadoras, Brígida Mariot.


Aproximadamente 250 famílias moram no local. Segundo ela, os problemas gerados com a poluição se agravaram principalmente nos últimos dois anos e a saúde dos moradores locais está sendo prejudicada. “Em razão principalmente do monóxido de carbono e enxofre, que atinge na maior parte crianças e idosos. As famílias residentes próximos à empresa, desde a última sexta-feira passada até o domingo, tiveram vômitos, náuseas, pressão alta, fortes dores de cabeça, garganta seca e ardência nos olhos, não sendo possível sequer fazer as refeições necessárias”, contou. “Além disso, as donas de casa comprovam diariamente o pó preto oleoso que está presente nas residências. São verdadeiras partículas de carvão, como podemos comprovar através de vídeos e imagens”, acrescentou.


Entretanto, segundo Brígida, este não é o único incômodo. “A atividade ocorre desde 1936. Então o problema existe desde que nos conhecemos por gente, com fases suportáveis e o fechamento da empresa, antiga Rio Deserto, mais conhecida como Coqueria. Mas não há cabimento comparar a poluição que se tinha em décadas passadas com agora, se passado quase um século. Naquela época era tudo manual. Mesmo assim, os moradores mais antigos nos falaram que nunca houve poluição como a que está havendo agora. Há aproximadamente cinco anos, a empresa reabriu trazendo o pesadelo novamente. Nos últimos dois anos, ficou insuportável a convivência com os agentes nocivos poluidores. Em meio às manifestações e reivindicações, os anos se passaram”, lamentou.


A empresa, por sua vez, afirma que está devidamente enquadrada na legislação ambiental. A Unesc foi contratada pela Urussanga Minérios para prestação de serviços dos laboratórios do Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas (IPAT) para realizar os serviços de monitoramento da qualidade do ar (análise de partículas totais em suspensão, partículas inaláveis e dióxido de enxofre). “A contratação prevê o monitoramento por um período de 60 dias ininterruptos, durante 24 horas. Para tanto, foram instalados amostradores AGV-PTS, AGV-MP10, APV (Trigás). No entanto, após quatro dias de monitoramento, foi constatado avaria nestes equipamentos, quando foi definido pela interrupção temporária dos serviços de medição, até que o local onde estes equipamentos estão instalados sejam dotados de monitoramento por câmeras de segurança”, informou, acrescentando que os serviços de monitoramento serão retomados, conforme a determinação contratual, assim que as câmeras estiverem em funcionamento.


Brígida conta ainda que, na última semana, por volta de 38 pessoas foram ao Instituto de Meio Ambiente (IMA) reivindicar que providências sejam tomada. Em contato com a assessoria de comunicação, o IMA informou que a Gerência Regional de Meio Ambiente de Criciúma irá fazer uma fiscalização no local ainda nesta semana. Na próxima terça-feira, dia 16, outro movimento será realizado pelo grupo de moradores. Eles irão à Câmara de Vereadores de Urussanga para que o presidente da Associação Comunitária de Rio Carvão (ACRIC), Sidney Casagrande, faça uso da tribuna e relate a situação vivida pelos moradores. 


Confira o pronunciamento da empresa na íntegra:


“Em atendimento às condicionantes constantes na Licença Ambiental de Operação, a empresa deveria apresentar ao IMA o monitoramento das emissões de fontes estacionárias, onde mede o SO2 e material particulado, e, a cada seis meses, realizar, em um período continuo de cinco dias, o monitoramento da qualidade do ar, utilizando equipamento AGV, onde são medidas as PTS, Partículas Totais em Suspensão.


Após as reclamações apresentadas por alguns moradores próximos da empresa, foi acordado em reunião com o IMA, representante dos moradores e Prof. Eduardo Nosse do IAC (Instituto Ambiental Catarinense), contratado pela empresa para intermediar essa negociação, que a empresa realizaria um monitoramento por um período de 60 dias, contínuos, podendo se estender por mais 30 dias, conforme os resultados. Foi solicitado então, pela empresa, que esse monitoramento fosse iniciado após conclusão da instalação dos novos equipamentos, que estavam sendo implantados para atendimento a CONAMA 436, legislação que estabelece os parâmetros a serem atendidos para as fontes estacionárias de emissão, cujo prazo para adequação das empresas seria até dezembro de 2018.


A empresa instalou, dentro do prazo, os equipamentos, realizou as medições para verificação de enquadramento na resolução CONAMA 436 nos meses de fevereiro e março (cabe esclarecer que esta data foi a disponível pelo IAC), iniciando agora, no fim de março, o monitoramento dos 60 dias, sendo que foram acrescidos, a pedido do IMA e da comunidade mais dois parâmetros, quais sejam Partículas Inaláveis (PI) e SO².


Os pontos de monitoramento foram indicados pelos moradores, não tendo nenhuma ingerência por parte da empresa.


Cabe informar que, em um dos pontos, ocorreu avaria no equipamento, com o furto da solução que permitiria a leitura do teor de SO², fato este que fez com que a empresa optasse por instalar câmera de filmagem em todos os pontos. Em um dos pontos, o morador se opôs à instalação, justamente naquele onde ocorreu a avaria, obrigando a UNESC a retirar o equipamento. Esse fato foi comunicado ao IMA, para que defina, com a comunidade e o Eng. Nosse novo local, sendo que a medição nos outros dois foi iniciada no dia 9 de abril. Conforme acordado com os moradores, após 30 dias de monitoramento, a UNESC, empresa que está realizando o monitoramento, fará uma apresentação prévia dos resultados.


Ressaltamos que a empresa, com os resultados obtidos no monitoramento das fontes estacionárias e nos AGV (medição até janeiro/19), está devidamente enquadrada na legislação ambiental”.


Redação Notícias JH


12/04/2019  às 16hs46