08/05/2020  às 08hs11

Saúde

MOV alerta para o turismo de natureza consciente em tempos de pandemia em Orleans

O Movimento Orleans Viva (MOV) manifestou preocupação quanto ao aumento da movimentação de turistas no interior da cidade durante o período de isolamento social.


A comunidade de Três Barras tem sido um dos destinos mais procurados para turismo – Foto: Leo Baschirotto

A comunidade de Três Barras tem sido um dos destinos mais procurados para turismo – Foto: Leo Baschirotto


O Movimento Orleans Viva (MOV) – Guardiões do Costão fez um alerta a respeito do alto fluxo de pessoas que têm se dirigido para o interior de Orleans neste período de isolamento social. O pedido é que se evite ao máximo as atividades turísticas, tendo em vista que se trata de uma atividade não essencial em um momento em que a recomendação global é o isolamento social e no qual os dados científicos ainda não apontam um cenário seguro em relação à pandemia.


"O grande problema desta movimentação turística é o simples fato de as pessoas não estarem respeitando a exigência de ficar em casa e sair para fazer apenas o essencial. É difícil acreditar que as pessoas ainda estejam se aglomerando, podendo difundir o vírus entre elas, como a gente sabe que acontece, e também deixando a população rural vulnerável, já que há o risco de levar até essas pessoas a contaminação. Então a recomendação principal é que não se faça turismo neste momento", biólogo André Klein, membro do MOV.


A preocupação manifestada pelo grupo quanto ao aumento da movimentação de turistas em áreas naturais de Orleans nos últimos dias se deu devido a relatos feitos por proprietários rurais que se queixam de um grande número (chegando a dezenas, em um único dia) de veículos entrando sem permissão em suas propriedades para acampar, fazer fogueiras e, às vezes, trilhas com veículos off-road. “Além de serem atividades potencial ou efetivamente danosas ao meio ambiente e à propriedade alheia, essa movimentação contraria as recomendações da OMS quanto ao isolamento social como medida mais eficiente para se reduzir a taxa de difusão da Covid-19, aumentando, portanto, a vulnerabilidade das populações rurais. Somam-se à nossa preocupação, os recentes incêndios em áreas florestais do estado, facilitados pela forte estiagem pela qual estamos passando”, afirmou em nota.


Tendo isso em vista, o MOV solicitou ao poder público, por intermédio de ofício, que as preocupações manifestadas sejam consideradas tanto de imediato, através da parte da estratégia de enfrentamento da pandemia pela Prefeitura e o Departamento de Turismo, quanto em médio e longo prazos, como parte dos planejamentos que vêm sendo executados por órgãos colegiados como o Conselho Municipal de Turismo e a Câmara Técnica de Turismo e Cultura do Desenvolvimento Econômico Local (DEL).


“Devido à combinação entre restrições advindas das medidas de quarentena e um recente relaxamento da população e dos governos, muitas pessoas têm buscado no turismo de natureza autoguiado e, independentemente de atividades comerciais, uma saída para seu lazer. Como Orleans ainda não conta com infraestrutura, formalização profissional e regramento adequados para esta categoria de turismo, vemos como urgente que a Administração Municipal, através de suas redes sociais e outros meios oficiais de comunicação, incluindo, se necessário, o uso de instrumentos jurídicos, oriente a população para que evite ao máximo as atividades turísticas, por se tratar de uma atividade não essencial”, sugeriu o documento.


Além disso, o MOV ressalta ainda que o turismo em áreas naturais e rurais vêm sendo incentivado em Orleans, sendo este, também, um dos objetivos do MOV. Portanto, o grupo defende que, uma vez que não se trata de uma proibição das atividades turística como um todo, é fundamental que o Município oriente a população para que, quando optar por realizar esse tipo de atividade, o faça de forma consciente dos seus impactos.


Confira as recomendações nestes casos:


- Contato prévio com os proprietários do terreno em que se pretende acessar e acampar;
- Não utilizar veículos que estejam emitindo ruídos ou gases de forma atípica;
- Não alterar estradas nem utilizar caminhos alternativos, principalmente quando do uso de veículos off-road;
- Não destruir a vegetação nem as taipas de pedra;
- Armazenar resíduos para que não fiquem no local;
- Não produzir poluição sonora através de som excessivamente alto;
- Evitar fogueiras (estamos em época de seca e há grande risco de incêndios) e, quando fizer, usar barreiras de pedras e apagar com água todas as brasas no mínimo algumas horas antes de deixar o local;
- Contratar ou consultar profissionais da área de turismo, como condutores ou guias, no caso de turistas inexperientes quanto à atividade que realizarão ou ao local que acessarão, bem como nos casos em que a contratação destes profissionais é um requisito.


Além disso, atualmente, o turismo consciente também envolve todas as medidas cautelares relacionadas à Covid-19, tais como:


- Distanciamento de 4 metros para caminhada, 10 metros para corrida e 20 metros para ciclismo;
- Uso de máscara;
- Higienização de mãos e objetos;
- Não compartilhamento de objetos de uso pessoal;
- Consciência de que, no caso de um eventual acidente, áreas isoladas são de difícil acesso, e você pode contrair o vírus no hospital.


Redação Notícias JH


08/05/2020  às 08hs11