Janaina Alberton

Olá, meu nome é Janaina Veronezi Alberton, filha de agricultores, fato do qual me orgulho muito. Sou formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Estadual de Santa Catarina-UDESC. Tenho pós-graduação em Gestão Ambiental e Mestrado em Ciências do Solo. Trabalho no Centro Universitário Barriga Verde-UNIBAVE na coordenação do curso de Agronomia.

Amo o cheiro dos campos, das plantações, da terra, e é por isso que estou sempre antenada ao que está acontecendo no meio rural. Me acompanhe aqui no Ligado no Sul e fique por dentro de tudo o que está acontecendo nesse meio tão inconstante e surpreendente!!

24/08/2015  às 17hs37

Geral

O cultivo de melancia


Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A melancia que atualmente consumimos, veio originalmente da África. Existem relatos de que a primeira colheita desta fruta se deu a 5 mil anos atrás, lá no Egito, aonde era considerada um alimento de grande valor. Quando os reis e faraós faleciam, eram colocadas melancias em seus túmulos para que eles se alimentassem após a morte, crença que os egípcios cultivavam.

Em torno do século 10, a melancia chegou a China, que se tornou uma potência mundial na sua produção, sendo hoje o país que mais produz e mais consome a fruta. Nas Américas, a melancia chegou através dos escravos. Na América do Norte quem se destaca é os Estados Unidos e na América do sul o nosso Brasil, havendo grande produção nos estados de Goiás, Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo.

São conhecidas quase 300 variedades de melancias, mas são 50 as variedades mais populares. Para facilitar, se pode dividir em 5 os tipos de melancia: com semente, sem semente, mini (ou melancia baby), amarela e vermelha.

Em relação a melancia sem semente, as primeiras foram desenvolvidas na década de 1960. Dentro podem ser encontradas aquelas sementes brancas, que são macias e podem ser ingeridas. Tecnicamente falando, as melancias sem sementes foram desenvolvidas partindo do cruzamento de cromossomos de uma espécie diploide (com o padrão de dois conjuntos de cromossomos) com uma espécie tetraploide (com quatro conjuntos de cromossomos), o que resulta em uma fruta que produz uma semente triploide (três conjuntos de cromossomos), e esta semente é que produz a melancia “sem semente”. Desta forma, a melancia sem sementes é um híbrido estéril, ou seja, não é possível produzir outras melancias a partir desta.

Esta melancia vem conquistando o gosto dos brasileiros e com isto cada vez mais espaço no mercado. Apresenta tamanho pequeno, o que facilita seu transporte e consumo. A maior produção desta melancia se concentra atualmente no Ceará e na Paraíba, mas vem ganhando bastante destaque também em São Paulo. O valor desta melancia é um atrativo ao produtor rural, pois chega a valer mais que o dobro do valor da normal. Em alta temporada, o preço médio recebido pelo produtor pela melancia convencional é de R$0,30 o kg e para a mini, R$1,50 o kg.

As condições de cultivo desta melancia são semelhantes a convencional, porém o custo de produção da semente chega a custar 50% a mais, elevando seu custo inicial, mas devido o preço final, se torna ainda compensatório.

Falando então em cultivo, geralmente para o plantio de melancia sem semente o produtor adquire a muda, e para a convencional se faz o semeio a campo, entretanto, mesmo neste sistema, a utilização de mudas para reposição de plantas em covas nas quais não houve germinação, é uma estratégia interessante para a garantia do estande inicial.

O uso de muda de boa qualidade irá refletir no sucesso de implantação do cultivo, pois facilita o controle do estande inicial das plantas, o que pode ser dificultado com uso de sementes no local definitivo. Por isso se recomenda uso de sementeiras.

A época de plantio irá variar para cada região, a melancia é uma cultura que prefere durante seu ciclo temperaturas variando de 18 °C a 25 °C, sendo assim, nas regiões de clima frio, o plantio da melancia é feito de outubro a fevereiro, nas de clima ameno, de agosto a março, e nas regiões de clima quente, o ano todo, com uso da irrigação. Épocas de muita chuva devem ser evitadas. Normalmente se usa o plantio em semeadura direta, e se usa em média 0,8 kg a 1 kg de sementes por hectare, colocando-se em média 3 sementes por cova.

Como a melancia é considerada uma planta agressiva, ou seja, se espalha rapidamente e tem um bom grau de competição, o espaçamento mais utilizado é de 2m entre linhas por 1,5 m entre plantas. Quando se faz o plantio em épocas de clima quente e chuvoso, se deve deixar espaçamentos maiores, pois as plantas irão se desenvolver mais, ocupando mais espaço.

Algumas práticas culturais são necessárias para garantir o sucesso do cultivo, independentemente do tipo de cultivo escolhido, como:

- Desbaste de plantas, com o intuito de eliminar as plantas menores. Este desbaste é feito no sistema de plantio com sementes, quando as plantas apresentarem três a quatro folhas definitivas, entre 10 e 15 dias após o plantio, de acordo com desenvolvimento das mesmas;

- Controle de plantas invasoras entre as linhas de cultivo que pode ser feito utilizando-se tratores ou tração animal;

- Adubação de cobertura que deve ser feita aos 25 e aos 45 dias após a semeadura, utilizando-se nitrogênio (N) e potássio (K), conforme recomendação de um Engenheiro Agrônomo a partir da análise de solo;

- Condução de ramas, aonde se elimina as ramas que foram retiradas da cultura para não provocar foco de doenças;

- Desbastes dos frutos, para permitir que os frutos tenham um tamanho e desenvolvimento adequado, proteção do fruto com o contato com o solo, evitando apodrecimento do mesmo.

A rotação de culturas também deve ser realizada, plantando-se no mesmo solo aonde se cultivou a melancia, uma planta de família diferente, como por exemplo, arroz, feijão, milho, etc... evitando assim o ataque de doenças e pragas.

Por fim, o mercado para melancia, apesar de ser antigo, ainda está em expansão, com espaço a ser preenchido, e se apresenta como mais uma alternativa ao produtor rural. 


24/08/2015  às 17hs37