Janaina Alberton

Olá, meu nome é Janaina Veronezi Alberton, filha de agricultores, fato do qual me orgulho muito. Sou formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Estadual de Santa Catarina-UDESC. Tenho pós-graduação em Gestão Ambiental e Mestrado em Ciências do Solo. Trabalho no Centro Universitário Barriga Verde-UNIBAVE na coordenação do curso de Agronomia.

Amo o cheiro dos campos, das plantações, da terra, e é por isso que estou sempre antenada ao que está acontecendo no meio rural. Me acompanhe aqui no Ligado no Sul e fique por dentro de tudo o que está acontecendo nesse meio tão inconstante e surpreendente!!

24/06/2015  às 14hs40

O mel em Santa Catarina


Foto: Divulgação/Internet

Foto: Divulgação/Internet

Em meados dos anos de 1943 a 1959 a apicultura Brasileira sofreu grandes problemas com doenças, havendo uma queda do número de abelhas muito drástico. Desta forma, em 1956 o Engenheiro Agrônomo Estevam Kern foi enviado a África para estudar o comportamento e hábitos das abelhas de lá. Estevam trouxe para Piracicaba/SP 26 rainhas de abelhas Africanas, que acabaram se expandindo por todo território Brasileiro, resultando em uma ampla proliferação das abelhas africanizadas em nosso país. Estas abelhas apresentam um comportamento muito mais agressivo que as abelhas que aqui existiam, havendo a necessidade de adaptação do manejo das mesmas, como por exemplo, o uso de colmeias com melgueiras ou sobre-ninhos para evitar a enxameação e propiciar o desenvolvimento das colmeias visando alcançar aumento da produção.

As abelhas africanizadas são assim chamadas por terem cruzado com nossas abelhas, que diga-se de passagem, também não são nativas, foram trazidas pelos europeus em meados do século 19. Entre as suas principais características se destacam a capacidade rápida na orientação e identificação de fontes de alimento e das colmeias, maior resistência a doenças, são excelente polinizadoras de pomares e culturas intensivas e apresentam uma produção de mel maior que a abelha trazida da Europa, no entanto, o mel desta tem melhor sabor e maior qualidade.

Atualmente o Brasil é o sexto maior país produtor de mel, entretanto, ainda existe um grande potencial apícola não explorado e grande possibilidade de se maximizar a produção, incrementando o agronegócio. As reservas da nossa flora apresentam um potencial de néctar e pólen apenas parcialmente explorado.  Para tanto, é necessário que o produtor possua conhecimentos acerca da biologia das abelhas, técnicas de manejo e colheita do mel, pragas e doenças dos enxames, importância econômica, mercado e comercialização. No país, a apicultura forma uma cadeia produtiva composta por mais de 300 mil apicultores e uma centena de unidades de processamento de mel, que juntos empregam, temporária ou permanentemente, quase 500 mil pessoas. Em 2004, este setor foi responsável pela produção de 32 mil toneladas de mel e 1,6 mil toneladas de cera de abelha, atraindo divisas de mais de US$ 42 milhões com exportação e se inserindo com destaque na pauta de exportação de agroprodutos. A produção mundial de mel alcançou 1,3 milhões de toneladas em 2004 e vem apresentando um crescimento regular nos últimos dez anos, da ordem de 1,9% ao ano. No entanto, é importante destacar que muitos fatores podem interferir na apicultura, tais como o clima e ambientais, mas o apicultor pode interferir para diminuir estas oscilações, com técnicas de manejo, que podem ser repassadas a ele por um profissional da área, além de que a relação homem, abelha e natureza proporciona inúmeros benefícios.

Uma técnica que deve ser dominada é a da coleta e preparo do mel para comercialização. Na colheita do mel deve ser realizado uma amostragem do mel nos quadros para se conhecer o teor de umidade, que é um dos parâmetros mais importantes para coleta, uso e tempo de prateleira do mel.  Em seguida se centrifuga os quadros  e se filtra o mel para retirar as impurezas (ceras, grumos de pólem, etc..). Após o mel é colocado em decantadores para retirada do ar e já se encontra apto para ser embalado e comercializado.

Além do mel, as abelhas possuem grande importância no serviço da polinização cruzada, que constitui uma enorme adaptação evolutiva das plantas, aumentando o vigor das espécies, possibilitando novas combinações de fatores hereditários e aumentando a produção de frutos e sementes, que são responsáveis por fecundar 73% dos vegetais da nossa flora. Estudo feito na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina (EMPASC) constatou que o número de frutos por ramo em macieiras com polinização, foram de 56,6%, com uma frutificação de 144% e nas macieiras sem polinização os frutos por ramo ficaram em 8,6% e a frutificação foi de 18%. Dessa forma, a apicultura passou a ter relevantes interesses econômicos, o que fez o apicultor produzir desde pastagens apícolas capazes de fornecer néctar, pólen e própolis às abelhas até insumos necessários à elaboração do nível da cera, da geleia real e da própolis, correspondente ao número de colmeias que se pretende ou se pode instalar em áreas com o potencial favorável.

Na região Sul de Santa Catarina, a apicultura é praticada desde os primórdios da colonização europeia, onde os apiários eram confeccionados em caixões de madeira simples e a extração do mel era feita, manualmente, a partir do aquecimento e prensa do favo. Segundo Gustavo Claudino, coordenador de apicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), o ano de 2012 foi um marco na apicultura do Sul do Estado, apresentando médias de produção superiores aos 30 kg/colmeia, dobrando a produtividade quando comparada à média dos últimos dez anos4. Com relação às técnicas de produção de mel, alguns apicultores utilizam “ninhos com melgueiras”, resultando em uma caixa com altura final de 50 cm e outros usam “ninhos com sobre ninho” resultando em uma caixa com altura final de 60 cm.

A produção de mel é mais uma alternativa viável para nosso homem do campo, afinal, se possui alimentos hoje, agradeça a um produtor rural.


24/06/2015  às 14hs40