08/07/2017  às 15hs48

Entretenimento

Parque Nacional de São Joaquim celebra 56 anos


Fotos: AcervoParna/CláudiointoICMBio/Divulgação

Fotos: AcervoParna/CláudiointoICMBio/Divulgação



O Parque Nacional de São Joaquim, gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Santa Catarina, celebrou nesta quinta-feira (06) aniversário de 56 anos. Para marcar a data, os gestores programaram a edição local do projeto “10 picos, 10 travessias”, que integra as atividades de comemoração dos 10 anos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão gestor da unidade de conservação (UC).


Na manhã da quinta, servidores do parque, moradores da região, representantes de ONGs, integrantes do conselho gestor, condutores de visitantes e empresários da área de turismo se juntaram na estrada do Morro da Igreja, em Urubici, um dos municípios abrangidos pela UC, e fizeram a trilha das Nascentes do Rio Pelotas até a borda da Serra Geral, numa caminhada de 12 quilômetros.


História


O parque foi criado em 6 de julho de 1961, pelo decreto 50.922 do então presidente Jânio Quadros, com o objetivo de preservar as matas de araucária (floresta ombrófila mista), uma das formações mais ameaçadas do país. Integrante do bioma Mata Atlântica, esse ecossistema possui atualmente menos de 5% de sua cobertura original, com remanescentes extremamente fragmentados e pressionados pela atividade madeireira.


A intensa exploração florestal reduziu as araucárias, mas não destruiu a beleza do cenário. A neve que atinge a região nos meses de inverno é uma das principais imagens deste parque que está localizado na Serra Geral, no estado de Santa Catarina, com uma área de 49.800 hectares, abrangendo os municípios de Urubici, Bom Jardim da Serra, Orleans, Grão-Pará e Lauro Muller.
Recentemente, o parque ganhou o noticiário nacional por ter sido incluído nas medidas provisórias (MPs) que reduziam áreas de unidades de conservação no Pará. Uma das MPs, que acabaram sendo vetadas pelo presidente Michel Temer, desafetava 20% da área do parque, ou seja, algo em torno de quase 10 mil hectares.


A área é ocupada hoje por alguns proprietários que não foram indenizados e praticam a pecuária. E, de uns tempos para cá, passou a despertar o interesse de empresas geradoras de energia eólica. A redução comprometeria a gestão do parque e retiraria dos limites um dos atrativos da unidade, o Cânion do Funil.


Ecoturismo


O chefe do Parque Nacional de São Joaquim, Paulo Santi Cardoso da Silva faz questão de ressaltar que, além de proteger a biodiversidade, o parque ajuda a impulsionar o desenvolvimento local por meio do ecoturismo. A cada ano, segundo ele, a unidade recebe em torno de 100 mil turistas. “Em 2016, foram 110 mil”, ressaltou, ao lembrar que São Joaquim é o décimo parque nacional mais visitado do País. Esse fluxo gera bons negócios nas área de hospedagem, gastronomia e comércio para a comunidade dos municípios da região.


O parque reúne vários atrativos. Com uma paisagem muitas vezes comparada à da Europa, numa das regiões mais frias do país, oferece aos visitantes surpresas jamais vistas em outros lugares. O ideal é reservar uma semana para conhecer boa parte das belezas naturais guardadas pela unidade de conservação.


Com 1.822 metros de altitude, o Morro da Igreja, localizado no centro do parque, é um dos pontos mais altos do Sul do país, muito procurado por praticantes de escalada e montanhismo. Em dias claros, torna-se um ótimo mirante para as escarpas da Serra Geral e até para o litoral, a mais de 60 quilômetros de distância. Foi neste local que se registrou a temperatura mais baixa do Brasil até hoje (-23ºC).


Do mirante do Morro da Igreja, se avista a Pedra Furada, um portal rochoso em forma de janela, medindo cerca de 30 metros de largura, esculpida pela natureza em meio à Mata Atlântica. Outro atrativo são as Nascentes do Rio Pelotas, que ficam numa região de campos alagados e possuem a trilha de onde se avista a formação do Morro da Igreja. O rio Pelotas corta a área preservada e, ao encontrar-se com o rio Canoas, forma o rio Uruguai.


A Serra do Corvo Branco é um dos locais mais visitados. Possui uma estrada, no entorno do parque, repleta de curvas, que liga Urubici a Grão-Pará e cruza seu ponto mais alto a 1.470 metros de altitude. Do alto consegue-se avistar boa parte da planície catarinense e várias formações de cânions e vales profundos.


Há também muitas cachoeiras, como a Cascata Véu de Noiva que possui águas geladas numa queda de 45 metros de altura. Ela fica nos limites do parque, dez quilômetros antes do Morro da Igreja. Além disso, tem os cânions e vales profundos com belas formações rochosas, cobertas por florestas que podem ser observadas durante caminhadas leves pelo parque.
Para completar o cenário, inscrições rupestres datadas de 3 mil anos, grutas, araucárias por todos os cantos, campos cercados por taipas, rústicos muros de pedra, histórias e lendas. A região abriga ainda cultura típica dos imigrantes italianos, alemães e letos (da Letônia), verdadeiros guardiães desse tesouro natural.


Biodiversidade


A área do Parque Nacional de São Joaquim está nos domínios da Mata Atlântica, onde se alternam os campos de altitude, as matas de araucárias, que se desenvolvem entre 500 e 1.400 metros de altitude, e as matas de encosta (floresta ombrófila densa), que ocupam a parte mais baixa do parque, influenciada pelo litoral.


A espécie mais comumente observada é o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) que, embora seja a árvore de maior ocorrência e símbolo da floresta ombrófila mista, divide espaço com espécies que fazem parte do ecossistema e também ameaçadas de extinção: a canela-lajeana, a canela-preta, a caraguatá e a imbuia.


Nas bordas da serra, acima dos 1.200 metros, a vegetação recebe o nome de mata nebular, devido à ocorrência de névoas e apresenta espécies endêmicas (exclusivas do local) como goiabinha-do-campo e são-joão-miúdo. Há ainda as matas ciliares, que se desenvolvem ao longo das margens dos rios, onde encontram-se exemplares de guamirim, murta, congonha, branquilho e cambuí, espécies arbóreas mais comuns.


Os vários problemas ambientais ocorridos na região como as queimadas e a caça indiscriminada afetaram a diversidade da fauna na região, com a extinção de algumas espécies localmente como a onça pintada (Panthera onca). A suçuarana (Puma concolor), já bem rara na região, é conhecida pelos moradores como leão-baio.
Outros animais que habitam o local são os caxinguelês, cachorros-do-mato, catetos, tamanduás-mirins e pacas, que ficam sob as copas dos pinheirais. Entre as aves, as espécies mais comuns são as perdizes, codornas, curicacas e as gralhas-azuis, que se alimentam do pinhão, a semente do pinheiro-do-paraná. Com informações do Portal Correio Lageano.


 


08/07/2017  às 15hs48