Janaina Alberton

Olá, meu nome é Janaina Veronezi Alberton, filha de agricultores, fato do qual me orgulho muito. Sou formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Estadual de Santa Catarina-UDESC. Tenho pós-graduação em Gestão Ambiental e Mestrado em Ciências do Solo. Trabalho no Centro Universitário Barriga Verde-UNIBAVE na coordenação do curso de Agronomia.

Amo o cheiro dos campos, das plantações, da terra, e é por isso que estou sempre antenada ao que está acontecendo no meio rural. Me acompanhe aqui no Ligado no Sul e fique por dentro de tudo o que está acontecendo nesse meio tão inconstante e surpreendente!!

21/07/2015  às 15hs51

Pitangueira: uma deliciosa alternativa para o meio rural


Foto: Divulgação/Internet

Foto: Divulgação/Internet

A pitangueira (Eugenia uniflora L.), planta da família das Myrtaceae, é originária do Brasil. Ela se encontra-se por toda parte do país, e também em algumas regiões do Uruguai e da Argentina. A pitangueira é uma árvore, que pode apresentar até 10 m de altura. O florescimento se dá de agosto a novembro.

A pitangueira apresenta uma floração abundando, linda, de cor branca e com um ótimo perfume. O fruto da Pitangueira, a Pitanga, apresenta uma polpa com gosto agridoce, agradando muitos paladares. 
Com a pitanga podemos produzir doces, geleias, sucos e licores, além de ser muito rica em vitaminas e proteínas. Ela apresenta cálcio, fósforo, ferro, vitamina B2 e vitamina C.

A pitanga é bastante sensível ao frio, não se adapta em regiões como por exemplo a serra geral, se desenvolve muito bem em locais que apresentam um clima quente e úmido com uma boa distribuição de chuva ao longo do ano. Não é muito exigente em fertilidade do solo, porém, um solo fértil, com boa profundidade e bem drenado vai garantir uma planta de maior qualidade.

A muda da Pitangueira pode ser obtida por semente ou mesmo enxerto, depende muito da destinação que se pretende para o produto.  Por exemplo, se a pretensão é implantar pequenos pomares domésticos, a propagação pode ser feita por sementes de plantas matrizes que apresentem boa produtividade. Pode-se semear em sacos de polietileno, que contenham dentro uma boa terra com esterco ou mesmo substrato que se encontra pronto para o comércio. Geralmente a germinação se dá em torno de 25 dias após a semeadura.  Já para os plantios comerciais se recomenda a enxertia como meio de propagação de mudas, pois este método garante a obtenção de mudas com produtividade alta, uniforme, precocidade de produção e resistência contra doenças.

O espaçamento indicado é de 4m entre plantas e 5m entre linhas, fazer o plantio em covas e a adubação das mesmas, conforme a recomendação da análise de solo orientada por um Engenheiro Agrônomo. Deve-se manter o pomar sempre limpo, para evitar a propagação de doenças e a competição por nutrientes.

Podas devem ser realizadas para garantir uma boa condução da árvore e facilitar a realização dos tratos culturais e da colheita. Se deve eliminar os ramos laterais ainda no primeiro ano de plantio. A adubação em cobertura deve ser realizada todos os anos, se aplicando esterco 10 kg de esterco e 250g por planta, em 2 aplicações no ano da fórmula NPK 10:10:10 no primeiro ano; no 2º ano - 500g; 3º ano - 750g; 4º ano - 1.000g.; 5º ano em diante 1.200g da mesma formulação.

Algumas pragas que se destacam são a Broca-do-caule e a Mosca-das-frutas. Para o controle da Broca-do-caule pode-se fazer a aplicação de calda bordalesa ou pulverização com inseticidas, e também a poda de ramos secos com destruição imediata pelo fogo. E para o controle da Mosca das frutas, se coloca armadilhas com feromônios, para capturar os insetos adultos, também se pode fazer a aplicação de inseticidas nos frutos verdes. Algumas medidas preventivas podem ser tomadas, como enterrar a mais de 20 cm de profundidade frutos caídos ao chão ou catá-los e queimá-los.

A  partir do terceiro ano de plantio já se inicia-se a colheita. Os frutos são delicados, por isso se deve ter certos cuidados nesta operação, como popr exemplo, os frutos devem ser colocados em caixas apropriadas e abrigadas do sol. A planta entra em produção de frutos duas vezes no ano. Normalmente, nos meses de março a abril e de agosto a dezembro. Uma pitangueira pode produzir de 2,5 a 3,0Kg. de frutos/planta/ano em pomares não irrigados. Em áreas irrigadas o rendimento em toneladas por hectare é de 500kg no 2º ano-, de 3.000kg no 3º ano; de 5.000kg no 4º ano do 6º ano em diante 9.000 toneladas de frutos por hectare.

Está aí, mais uma alternativa para produção no meio rural, mas para querer inovar é necessário vontade e coragem de mudar. E lembrem-se, se vocês possuem alimentos hoje, agradeçam aos produtores rurais!


21/07/2015  às 15hs51