16/08/2019  às 14hs42

Saúde

Prevenção ao suicídio: Falar é a melhor solução

Informar sobre ajuda profissional e oferecer suporte emocional são atitudes importantes para a prevenção ao suicídio, afirma especialista.


O suicídio tira a vida de uma pessoa por hora no Brasil, mesmo período no qual outras três tentaram se matar sem sucesso – Foto: Freepik

O suicídio tira a vida de uma pessoa por hora no Brasil, mesmo período no qual outras três tentaram se matar sem sucesso – Foto: Freepik


Considerada como o mal do século pela Organização Mundial de Saúde, a depressão é um transtorno mental frequente. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com esse transtorno, sendo a principal causa de incapacidade em todo o mundo.


Conforme a psiquiatra Simone Lespinasse Araujo*, a condição é diferente das flutuações usuais de humor e das respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. “Momentos bons e momentos difíceis fazem parte da vida de todos. O fim de um relacionamento, a perda do emprego, a morte de um ente querido ou uma doença grave podem levar o indivíduo a sentir uma tristeza profunda. Em muitos casos, estes eventos são superados, porém, em outros, não”, pontuou.


“Nestes momentos, é necessário procurar a ajuda de profissionais da área da saúde, pois o indivíduo pode estar com depressão. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou grave, a depressão pode se tornar uma crítica condição de saúde. Ela pode causar à pessoa afetada um grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no meio familiar”, acrescentou a especialista.


Ainda de acordo com a Dra. Simone, durante o episódio depressivo, a pessoa experimenta um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida, levando a uma diminuição das atividades em geral por, pelo menos, duas semanas. “Muitas pessoas com depressão também sofrem com sintomas como ansiedade, distúrbios do sono e de apetite e podem ter sentimentos de culpa ou baixa autoestima, falta de concentração e até mesmo aqueles que são clinicamente inexplicáveis”, exemplificou.


Contudo, em situações muito graves, podem surgir também os pensamentos de morte e até mesmo as tentativas de suicídio. A especialista afirma que aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, sendo, inclusive, a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos. Aproximadamente 90% das pessoas que cometem suicídio apresentam um transtorno mental. A depressão é o mais frequente.


“Fatores genéticos, condições psicológicas e sociais podem contribuir para o desenvolvimento do um quadro de depressão. A melhor forma de prevenir é tentar manter um ritmo de vida saudável, com cuidados com o corpo e com a mente, como uma alimentação saudável, prática de exercícios físicos regulares e lazer”, explicou. Existem, ainda, tratamentos eficazes, tais como medicamentos e psicoterapia. Porém, a psiquiatra garante que o apoio de familiares e amigos, com o intuito de incentivar a continuidade do tratamento, é essencial para a melhora do indivíduo. “Lembre-se: a depressão tem tratamento. Se você suspeitar que tem depressão, busque ajuda”, alertou.


Centro de Valorização da Vida (CVV) – O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Basta discar o número 188, que tem funcionamento durante 24 horas, 7 dias por semana, ou acessar o site www.cvv.org.br. O suicídio é considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública, tirando a vida de uma pessoa por hora no Brasil, mesmo período no qual outras três tentaram se matar sem sucesso. Trata-se de um problema que se pode prevenir na grande maioria das vezes e esse é um dos maiores esforços do CVV.


*Simone Lespinasse Araujo é graduada em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Minas Gerais; tem Residência Médica em Clínica Médica (RQE 14087) e em Psiquiatria (RQE 14086) pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal; e é mestranda em Neurociências na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).


Redação Notícias JH


16/08/2019  às 14hs42