30/03/2018  às 15hs59

Economia

Produção leiteira terá crescimento de 3% a 4% no Sul do País

Leite entregue em fevereiro, para processamento industrial pago em março pelos laticínios, registrou aumento de 5,7%


Divulgação Internet

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Após um período de amarga recessão do setor leiteiro no Brasil, os produtores rurais começam a respirar com alívio. O ano de 2018 iniciou com recuperação nos preços pagos pelo litro do leite e a expectativa para a região Sul do País é de um crescimento de 3% a 4% da produção. De acordo com dados do Conselho Paritário Produtor/Indústrias de Leite do Estado de Santa Catarina (Conseleite/SC), o leite entregue em fevereiro, para processamento industrial pago em março pelos laticínios, registrou aumento de 5,7%, correspondendo a seis centavos/litro nos valores de referência.

O presidente do Conseleite/SC e vice-presidente regional da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) na região extremo oeste, Adelar Maximiliano Zimmer considera que finalmente a situação começa a melhorar para o produtor rural. O dirigente pondera que os agropecuaristas viveram onze meses de operação no vermelho e muitos ameaçaram abandonar a produção.

O fundador da AgriPoint e organizador do Interleite Sul 2018, Marcelo Pereira de Carvalho, observa que períodos como o vivenciado em 2017 são pontuais. “Sempre digo que nunca devemos tomar uma decisão importante após um dia muito ruim, ou muito bom. A chance de se arrepender é grande – no primeiro caso por um pessimismo exagerado e, no outro, pelo sentimento oposto”, afirma.

Esse deve ser o pensamento dos produtores de leite ao enfrentar momentos de dificuldade. “Passamos por três anos de queda no consumo de leite e derivados, fruto da perda de renda. Para se ter uma ideia, o segmento de iogurtes, por exemplo, teve em 2017 volume de vendas menor do que tinha tido em 2009. Foi uma retração muito grande. Leite é produto de mercado interno, então se a renda cai, o consumo cai. Se tivermos uma recuperação econômica, isso se reverte. Dessa forma, é importante olhar o longo prazo, que sinaliza para um mercado interessante”, considera.

Carvalho pontua que é importante, no entanto, buscar conhecimento de forma contínua, já que existem muitas demandas diferentes hoje, como sustentabilidade, bem-estar animal, necessidade de capacitação de mão de obra, que, no passado, não eram tão relevantes. Avalia que também, é preciso buscar escala – é a escala que permite que se tenha sucessão rural.

Por fim, lembra que os dados de eficiência técnica e econômica, quando disponíveis, mostram uma grande diversidade entre produtores. Os preços médios de mercado refletem, no geral, a baixa eficiência técnica e econômica do setor produtivo. Em outras palavras, como as médias de produtividade são baixas, e como isso se reflete nos preços, quem for sistematicamente mais eficiente, tem mais chance de ter alta rentabilidade, ainda que também sofra em momentos de baixa.

“Recentemente, na Expodireto, vi apresentação de um produtor no Rio Grande do Sul que teve 36% de margem de lucro em 2017. Não é uma atividade fácil, mas os bons exemplos estão aí e aumentando em número. Sugiro que os produtores visitem estes exemplos, conversem com os técnicos e busquem assessoria qualificada. Sempre lembrando que teremos momentos de maior dificuldade”, complementa.

Com informações do Portal DN Sul


30/03/2018  às 15hs59