18/09/2018  às 16hs09

Educação

SC: Capacitação para professores e diretores da rede pública aborda proteção à mulher

A violência doméstica em Santa Catarina, durante 2017, foi responsável pela morte de 48 mulheres e por 13 mil registros de lesões corporais.



A violência doméstica em Santa Catarina, durante 2017, foi responsável pela morte de 48 mulheres e por 13 mil registros de lesões corporais. Os dados são do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e serviram de tema para a segunda etapa do Curso de Capacitação para Docentes sobre Violência Doméstica, realizado nesta segunda-feira (17/9) no Pleno do TJ. O encontro, promoção da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) do Tribunal de Justiça, foi dirigido a professores e diretores da rede pública de ensino (estadual e municipal) da Grande Florianópolis.


As causas desses números e a importância da criação de uma rede de proteção para acolhimento das vítimas foram discutidas no encontro. A enfermeira Caroline Schweitzer , da Secretaria de Saúde de Florianópolis, abriu os trabalhos com a palestra "Atendimento às mulheres em situação de violência - acolhimento e rede de atenção". Ela revelou que Florianópolis ocupa a 2ª colocação entre as capitais brasileiras com maior índice de violência contra a mulher, segundo dados do Mapa da Violência (2015). "Infelizmente, é uma característica comum dos países subdesenvolvidos, onde o machismo e a ideia de posse da mulher são muito fortes.


E sabemos que a questão da posse permeia a violência", salientou.  Em todo o território nacional, em 2017, a cada hora 503 mulheres foram vítimas de violência no Brasil, segundo levantamento feito pelo Instituto Datafolha. Para frear esse número, Caroline frisou a necessidade da mulher encontrar uma rede de proteção "muito mais social que institucional". É necessário, em sua opinião, que haja uma cultura de paz, em que as mulheres possam encontrar apoio em outras mulheres na sua vizinhança, no seu bairro. "Aos poucos, quem sabe, transformaremos essa relação de poder entre os pares numa relação de equidade, em que não haverá espaço para a violência", pontuou. 


 


 Na sequência, o major PM Thiago Augusto Vieira apresentou aos profissionais da educação o programa "Rede Catarina", desenvolvido pela Polícia Militar de Santa Catarina. Já em funcionamento em São José, a iniciativa direciona esforços por parte da corporação no combate e prevenção à violência doméstica, particularmente contra as mulheres. O programa está estruturado em três eixos: ações de proteção, policiamento direcionado ao problema e solução tecnológica.  Segundo Vieira, metade das ocorrências atendidas pela instituição, relacionadas a violência doméstica, resulta em prisão em flagrante.


 


"É um indicador muito alto se levarmos em conta outros tipos de crime, como o furto, onde teremos índices muito mais baixos. Não somos onipresentes e este é um desafio para todos nós, mas precisamos continuar tentando e empoderando as mulheres, dando-lhes voz e condições de fazer a denúncia", disse.  A Rede Catarina foi idealizada a partir de práticas bem-sucedidas em todo o território nacional e em Santa Catarina, como na cidade de Chapecó com o "Guardião Maria da Penha", que também já existe em Florianópolis (no norte da Ilha), Santo Amaro da Imperatriz e Lages, entre outros municípios.


Denominada "Formar para transformar", a série de encontros com os profissionais que atuam na área da educação na Capital e região é uma iniciativa da Cevid em parceria com as Secretarias de Educação (estadual e municipais), e tem como objetivo preparar diretores e professores para lidar com o tema da violência doméstica junto aos alunos em sala de aula. Ao todo serão cinco encontros mensais até fevereiro de 2019, quando então será lançado um concurso em que crianças e adolescentes vão produzir desenhos e vídeos sobre o assunto. A divulgação dos vencedores e a entrega da premiação estão previstas para o mês de agosto do ano que vem.


 


Fonte: Notisul


18/09/2018  às 16hs09