07/02/2020  às 16hs11

Geral

Serviço de entulho em Orleans é ameaçado pela falta de conscientização

Na teoria, apenas os resíduos da construção civil devem ser depositados nas caçambas de entulho. Contudo, na prática, não é isso o que acontece.


Nas caixas de entulho em Orleans, é comum constatar resíduos não provenientes da construção da civil – Foto: Ketully Beltrame

Nas caixas de entulho em Orleans, é comum constatar resíduos não provenientes da construção da civil – Foto: Ketully Beltrame


"Caliça, pedregulhos, areia, tudo que sirva para aterrar, nivelar depressão de terreno, vala. Restos de tijolos, argamassa. Materiais inúteis resultantes da demolição e de obras de alvenaria". Este é o significado que o Dicionário Aurélio dá à palavra entulho. Em Orleans, tal assunto ganhou repercussão nesta semana.


A representante de uma empresa prestadora do serviço de coleta de entulho na cidade publicou um vídeo alertando que esta atividade estaria ameaçada na cidade, correndo o risco de ser paralisada. O motivo é, justamente, a falta de conscientização das pessoas, que têm depositado na caçamba não apenas entulhos (ou seja, resíduos da construção civil - RCC), mas sim, outros objetos que pretendem descartar.


De acordo com o engenheiro sanitarista e ambiental da FAMOR, Samuel Andrade Segatto, é comum que a população também coloque nas caçambas de entulho móveis, eletrodomésticos e estofados. “O serviço de entulho realmente fica ameaçado porque estes lixos colocados lá devem ser depositados no aterro de lixo comum, e não de entulho. Muitas pessoas passam ao lado da caçamba e jogam garrafas da água, palito de picolé e entre outras coisas que não são características de construção civil e que deveriam estar no resíduo sólido comum”, esclareceu.


A destinação correta de tais resíduos é de responsabilidade de todos, tendo em vista que gera graves consequências tanto ambientais quanto de saúde pública. Além disso, também deve fazer parte do debate entre o poder público e a comunidade a busca por alternativas para a reciclagem de todos os tipos de resíduos, sempre quando possível, bem como a redução de sua utilização, por meio do uso consciente de tais materiais.


Em Orleans, uma única empresa faz o aluguel da caçamba, o transporte e o recebimento do material em um local licenciado pela Famor. A fiscalização deste local pode ser feita tanto pela fundação ambiental do município quanto pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). “Uma vez que o material chega ao aterro, ele passa pelo processo de triagem para separar os tipos de resíduos de acordo com a classe, podendo ser A, B, C e D. O que não enquadrar nestas classificações, deve ser separado para ir para o aterro comum ou para o aterro industrial”.


Os tipos de resíduos são classificados de acordo com a resolução nº 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Confira na imagem abaixo:



Tipos de Resíduos da Construção Civil - Fonte: Resíduo All


De acordo com o engenheiro sanitarista e ambiental da FAMOR, o aterro situado em Orleans alcançará o fim de sua vida útil em agosto de 2020. “Um plano de desativação já deveria ter sido apresentado. Isso não foi feito e, neste meio tempo, o IMA/SC, através de uma denúncia, esteve no local e deu um prazo para a regularização e embargou. Em contrapartida, a empresa já entrou com um pedido de licenciamento de um outro local para fazer conforme o que prevê a legislação. Este é um outro processo, feito de forma separada, e a Famor irá atuar neste licenciamento”, esclareceu.


Nas redes sociais, Carina, que representa a empresa responsável pela coleta e destinação do entulho em Orleans, desabafou e pediu a colaboração da população e dos órgãos públicos, visando a conscientização. “Se o entulho parar, vai ser uma tragédia dentro de Orleans, porque vamos ser obrigados a retirar todas as nossas caixas, inclusive tem várias no centro da cidade, e deixar o resíduo para a pessoa dar a destinação final”, alertou.


Redação Notícias JH


07/02/2020  às 16hs11