20/11/2018  às 15hs13

Geral

'Sinto medo', diz professora que conteve aluno que tentou agredir adolescente com duas facas em SC

Alunos de escola onde ocorreu briga fizeram protesto nesta terça-feira por mais segurança.


Foto: Luiz Souza/NSC TV

Foto: Luiz Souza/NSC TV


"O pior podia ter acontecido. Uma mãe poderia ter chorado a morte de um filho", conta a professora que separou uma briga de alunos na escola estadual Raul Bayer Laus, em Itajaí, na segunda-feira (19). Após ser atingida por uma paulada no braço, a educadora ainda conteve um aluno que, com duas facas de cozinha, tentou atingir outro adolescente.


Nesta terça-feira (20), alunos, professores e comunidade em geral protestaram por mais segurança na unidade escolar. Na segunda, os dois adolescentes suspeitos da agressão a um terceiro foram encaminhados para delegacia. O caso foi encaminhado à Justiça e uma audiência foi marcada para o final do mês. Conforme o delegado Ricardo Labes, eles podem respoder por ato infracional de ameaça e lesão corporal.


A professora prefere não se identificar. "Sinto medo. Temo pela minha família", disse. Ela está afastada da unidade nesta terça. A mulher leciona Educação Especial, e atende uma menina com Síndrome de Down.


Ela conta que ficou dois meses afastada em licença médica por causa de ameaças de um dos alunos envolvidos na briga de segunda. O estudante tem 12 anos e teria atirado pedras contra carro da educadora e rondado a casa dela, por suspeita que ela o tivesse denunciado por tráfico de drogas.


“Semana passada eu voltei a trabalhar e agora aconteceu essa situação. Nós estamos trabalhando com o medo”, disse.


Agressão


"Eu estava no refeitório, junto com aluna a auxiliando na refeição. De repente um dos adolescentes pulou em cima da mesa. Outro menino reclamou e ele partiu pra cima dele com um garfo", lembrou a educadora sobre o início do conflito.


Segundo ela, naquele momento, conseguiu separar os dois garotos, ambos de 14 anos. Depois, foi até a sala dos professores e, quando retornou, a briga havia recomeçado, no gramado do colégio. Dessa vez, o garoto de 14 anos era atingido não só pelo outro da mesma idade, como por um de 12 anos.


"Ele estava acuado pelo outros dois. Uma multidão se reuniu ao redor dela e uma professora gritava desesperada", lembra. Segundo ela, ao tentar conter um dos garotos, foi atingida com o pedaço de pau no braço.


Depois que os jovens foram novamentes dispersados, segundo a professora, o garoto de 12 anos entrou na cozinha e pegou duas facas do local. "Ele passou correndo do meu lado e eu não pensei em nada. Corri atrás dele", conta.


Segundo ela, o garoto subiu as escadas em direção ao segundo piso da escada, indo atrás do garoto de 14 anos vítima da agressão. "Ele estava agachado no bebedouro. O aluno iria cravar as facas nas costas dele. Eu meti a mão, segurei ele pelo pescoço e consegui tirar uma das facas. Depois vieram o outros alunos e tiraram a outra faca", lembra.


A professora diz que segurou o aluno de 12 anos contra a parede e recebeu ameaças deles. "Que eu já tava morta. Que eu tava ferrada de várias formas", lembra. Na sequência, cinco alunos seguram o adolescente enquanto a professora buscava ajuda.


A Polícia Militar foi acionada e a professora e o aluno vítima ficaram esperando por socorro dentro da sala dos professores. Todos foram levados para depoimento na delegacia. Nesta terça-feira, a professora ainda fará corpo de delito.


"No momento estou em choque. Tenho muito amor pelo que eu façoe não me vejo fora de sala de aula. Nós estamos pedindo ajuda não estamos conseguindo", conta a professora.


Conflito antigo


Conforme a professora, desde janeiro a escola vem tentando resolver a situação do conflito na escola, principalmente com relação ao garoto de 12 e o de 14 anos. Relatórios foram feitos e o Conselho Tutelar foi acionado.


O adolescente que pegou as facas tem quatro passagens pela polícia. A primeira ocorrência foi quando ele tinha 10 anos de idade: ameaçou uma pessoa de morte.


Segundo Gerência Regional de Educação, não há como a escola transferir de forma compulsória ou expulsar alunos das unidades escolares: cada escola deve procurar medidas educativas para solução de conflito.


A gerente regional de Educação, Cleonice Berejuk, informou à NSC TV que vai conversar com os pais e sugerir que eles tomem a iniciativa de transferir os alunos para outra escola.


Na próxima segunda-feira (26) será feita uma reunião com os pais de todos os alunos pra tratar sobre segurança na unidade de ensino.


 


Com informações do site G1 SC.


20/11/2018  às 15hs13