Para uma melhor experiência neste site, utilize um navegador mais moderno. Clique nas opções abaixo para ir à página de download Indicamos essas 4 opções:
Ok, estou ciente e quero continuar usando um navegador inferior.
BLOG
Ana Maria Dalsasso Educação
É Professora de Comunicação. Formada em LETRAS – Português/Inglês e respectivas Literaturas, Pós-graduada em Metodologia do Ensino pela Universidade Federal de SC - UFSC, cursou a primeira parte do Doutorado em Educação pela Universidade de Jáen na Espanha, porém não concluiu. Atua na área da Educação há mais de quarenta anos. Em sua trajetória profissional, além de ministrar aulas, exerceu a função de Diretora de Escola Pública, Coordenadora Pedagógica da Escola Barriga Verde, Pró-Reitora de Ensino de Graduação do UNIBAVE/ Orleans. Dedica parte de seu tempo livre com trabalhos de Assistência Social e Educacional, foi membro do Lions Clube Internacional por longos anos, hoje faz parte da AMHO – Amigos do Hospital, além de outros trabalhos voluntários na comunidade e seu entorno. Revisora de trabalhos acadêmicos: Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado.
O Brasil sem rumo educacional. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso19/01/2026 15h00
Foto/Reprodução
Estamos a poucos dias do início de um novo ano letivo e o Brasil está sem rumo educacional por não ter o Plano Nacional de Educação (PNE), principal instrumento de planejamento educacional do país aprovado pelo Senado.
O atraso na aprovação do novo Plano Nacional de Educação (PNE 2026–2035) pelo Senado Federal expõe, mais uma vez, uma fragilidade estrutural do Estado brasileiro: a incapacidade de planejar a educação como política de Estado, e não como disputa circunstancial de governo ou de ideologia.
O PNE define metas, prioridades, diretrizes e compromissos que orientam a União, os Estados e os Municípios ao longo de uma década. Sem ele, a educação brasileira perde coordenação, coerência e previsibilidade. Ainda assim, ao iniciar 2026, o Brasil corre o risco real de permanecer sem um novo plano em vigor.
O PNE anterior (2014–2024) já precisou ser prorrogado até o fim de 2025 para evitar um vácuo legal. Caso o Senado não conclua a votação do novo texto em tempo hábil, o país poderá enfrentar duas alternativas igualmente problemáticas: uma nova prorrogação de um plano já esgotado ou, no pior cenário, a ausência de um marco nacional válido para a educação. Ambas as opções revelam improviso e falta de compromisso com o futuro.
A inexistência de um PNE atualizado gera insegurança jurídica e administrativa. Estados e municípios, que são obrigados por lei a elaborar seus planos educacionais alinhados ao nacional, ficam sem referência clara. Cada rede passa a adotar critérios próprios, aprofundando desigualdades regionais e enfraquecendo a articulação federativa. Na prática, perde-se a noção de projeto coletivo de país.
Outro impacto grave recai sobre o financiamento da educação. O novo PNE deveria estabelecer prioridades de investimento, metas de expansão e parâmetros para avaliação de resultados, em articulação com o Fundeb. Sem essas diretrizes, o governo federal fica limitado na formulação de políticas estruturantes, e a alocação de recursos tende a se tornar mais política do que técnica. Quando não há metas claras, também não há como cobrar resultados.
Além disso, o atraso prolonga a instabilidade institucional. Um país que encerra um plano decenal, o prorroga emergencialmente e não consegue aprovar o seguinte transmite ao mundo a imagem de desorganização e baixa prioridade estratégica para a educação. Isso afeta parcerias internacionais, compromissos assumidos em organismos multilaterais e a própria credibilidade do Estado brasileiro.
Há ainda um efeito colateral importante: enquanto o Congresso não define, em lei, os limites e objetivos da política educacional, temas sensíveis continuam sendo regulados por portarias, resoluções administrativas e decisões judiciais. Ou seja, o Parlamento abdica de sua função central e transfere o debate para o Executivo e o Judiciário, aumentando a insegurança sobre o que pode ou não ser ensinado nas salas de aula.
A demora do Senado, portanto, não é um problema meramente burocrático. Ela aprofunda a descontinuidade, fragiliza a gestão educacional e mantém o país refém de improvisações. Em um contexto de graves déficits de alfabetização, baixos índices de aprendizagem e formação precária, o Brasil não pode se dar ao luxo de adiar indefinidamente um projeto nacional para a educação.
Planejar é decidir prioridades. Adiar decisões, nesse caso, é escolher a estagnação. E quem paga o preço, como sempre, são os estudantes — especialmente os mais pobres.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.
0
0
Que venha 2026. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso06/01/2026 15h00
Imagem/Ilustrativa
Passados os festejos de virada de ano, barulho e brilho dos fogos, champanhes, futilidades, desejos quase irreais, promessas vazias, é hora de voltar à normalidade, ou melhor, à realidade, que é bastante diferente. Não pensem que sou contra as comemorações, muito pelo contrário. É maravilhoso poder estar com amigos e familiares para confraternizar, mas não podemos deixar de refletir pontos importantes, certos exageros que poderiam ser contidos para manter a essência do evento.
A chegada de um novo ano leva-nos a refletir sobre fatos relevantes que vivenciamos nas mais variadas áreas de nossas vidas: familiar, afetiva, profissional, espiritual, enfim nossa existência na sociedade como um todo. Fazer a retrospectiva de um ano que se encerra é como mexer num baú para uma faxina: descartar o inútil e reaproveitar as pérolas que nos fizeram dignos de habitar o Planeta. E, ao relembrar fatos bons e ruins que nos acompanharam em diferentes momentos de 2025 devemos corrigir as falhas, enaltecendo o que nos fez bem e agregou vantagens para uma melhor qualidade de vida. É refletir sobre o que fizemos para tornar o mundo um pouco melhor, porque viver o coletivo é talvez a tarefa mais difícil para o “ser humano”, pois significa prestar contas para nossa consciência, sem dúvida a mais difícil, porém inevitável. É preciso que todos, indistintamente, percebam suas vidas como instrumento construtor da sociedade, dando sua parcela de contribuição para a felicidade da humanidade, independente de cor, credo, raça, situação econômica, grau de instrução, posição social.
Mas, será que o Homem de nossos tempos tem consciência do papel que a vida lhe impõe? O que dizer de tudo que vem acontecendo no mundo em consequência das atitudes do ser humano? As guerras, com ou sem armas, tomam dimensões apavorantes; a violência nos assusta; as doenças se proliferam; a natureza chora; a educação deteriorada; a saúde agonizando… Somos reféns do egoísmo humano; temos de sobreviver às ganâncias dos poderosos; o “ter” se sobrepõe ao “ser”; valores morais e éticos são banidos da sociedade; a corrupção, roubo, mentiras, impunidade fazem parte da rotina; famílias desagregadas; sonhos roubados; a incerteza permeando nossa existência.
2025 foi um ano bastante atípico para o Brasil. Nosso país tem tudo para ser o melhor do mundo, mas em função do caos que se instalou está indo ladeira abaixo, e com ele nossos sonhos, nossa esperança de um futuro melhor para as próximas gerações. Nossos políticos perderam a vergonha e a noção de responsabilidade com o progresso da nação. Começamos o ano com insegurança, querendo acreditar que tudo se acertaria com o passar do tempo, no entanto o que vemos hoje é algo que jamais imaginamos: a falta de responsabilidade para com o maior patrimônio de uma nação: o seu povo. O ano terminou exatamente como começou: assaltos, assassinatos, violência desenfreada, aumento de luz, de combustível, de medicação etc.
Mas, se 2026 começou sem boas novidades, convém lembrar que no decorrer dele poderá haver melhora. Mudanças poderão acontecer, dependendo da consciência de cada um de nós. É um ano eleitoral e teremos a oportunidade de escolher as pessoas que por nós lutarão na defesa de nossos direitos, dando-nos a esperança de que nem tudo está perdido. Teremos um bom espaço de tempo e dispomos de meios de comunicação que nos informam diariamente sobre o que se passa no país. Deixemos de lado o partidarismo doentio, a venda de consciência, a troca de favores políticos para dar nosso crédito a quem realmente merece, apesar de não termos muita opção de escolha.
Que 2026 seja um ano de grandes realizações e que todos os cidadãos tenham paz, prosperidade, honestidade, responsabilidade, mas acima de tudo valorização e muito respeito.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.
0
0
Educação 2025. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso08/12/2025 15h00
Foto/Freepik
Fim de ano sempre é tempo de avaliação: momento de olhar para o que passou e projetar o futuro. Como educadora, não posso encerrar 2025 sem refletir sobre os desafios que marcaram a educação brasileira, em especial, no campo da leitura.
Vivemos um ano em que mais uma vez ficou evidente a distância entre a expansão de diplomas e a real qualidade do ensino. Distribuímos títulos, certificados e homenagens, mas ensinamos cada vez menos. Essa desconexão revela um problema profundo: valorizamos o papel, mas não o conhecimento.
Os dados mais recentes confirmam essa realidade preocupante. Segundo a última Avaliação Nacional da Alfabetização, apenas 5 em cada 10 crianças leem com fluência ao final do segundo ano, ou seja, metade das nossas crianças não domina uma habilidade que deveria ser garantida logo no início da trajetória escolar. E o quadro piora ao longo dos anos: 95% dos estudantes chegam ao final do Ensino Médio sem saber o básico de Português e Matemática. É a comprovação estatística de uma falência anunciada.
Em paralelo, assistimos à banalização de títulos e honrarias, que muitas vezes não refletem a formação real ou o domínio das competências essenciais. Distribuímos diplomas, mas não formamos leitores. Ampliamos certificados, mas não ampliamos conhecimento. Seguimos repetindo um modelo que produz números, não aprendizado
O resultado disso aparece em sala de aula, nos índices de alfabetização, na dificuldade de interpretação e no empobrecimento do pensamento crítico. Em 2025, mais uma vez, a leitura foi deixada em segundo plano, como se fosse um detalhe, quando, na verdade, é o alicerce de todo processo de aprendizagem. O país segue distribuindo diplomas em abundância, enquanto ensina cada vez menos.
Se queremos um futuro diferente, precisamos começar por reconhecer o que não deu certo. A educação brasileira exige mais compromisso real e menos cerimônia; mais investimento e menos ilusão estatística. Só assim poderemos, quem sabe, escrever um novo capítulo para 2026. Se 2025 escancarou nossas falhas, especialmente na leitura, a base de toda aprendizagem, precisamos ao entrar em um novo ano, fazer mais do que planejar: precisamos reconstruir.
Este ano expôs com clareza um modelo que privilegia títulos, não conhecimento; aparências, não competência. E os efeitos são devastadores: crianças alfabetizadas pela metade, adolescentes que concluem etapas sem compreender textos simples, adultos que recebem diplomas que não representam aprendizagem real.
Avaliar 2025 é reconhecer essas falhas — e assumir, com coragem, que o futuro da educação depende de um retorno ao essencial: ler, compreender, pensar.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.
0
0
O uso da lei como arma. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso25/11/2025 15h00
Imagem/@Normose
Nos últimos anos, o Brasil tem vivido um cenário preocupante de judicialização intensa da vida pública. A justiça, que deveria ser o alicerce do equilíbrio democrático, passou a ser utilizada como ferramenta de disputa ideológica e estratégia de poder. Esse fenômeno possui um nome: “lawfare”, ou seja, o uso da lei como arma de guerra contra adversários políticos.
O conceito não se refere à punição legítima de crimes, mas à instrumentalização de processos jurídicos como forma de perseguição. A lógica do lawfare é simples e perigosa: fragiliza-se o adversário por meio de investigações prolongadas, denúncias seletivas, vazamentos estratégicos para a mídia e julgamentos midiáticos em que a reputação é condenada antes mesmo que haja sentença. Nesse terreno, a presunção de inocência é substituída pela suspeita permanente, e o processo deixa de ser um caminho para a verdade para se tornar um palco de desgaste político.
Quando a justiça vira arma, a democracia se transforma em campo de batalha. Em vez de instituições sólidas e imparciais, passa-se a ter um sistema guiado por interesses e movido por narrativas. A consequência é grave: a sociedade perde a confiança nas estruturas que deveriam garantir equilíbrio e transparência. Surge, então, um círculo vicioso em que tudo é judicializado e a política deixa de ser construída pelo diálogo, pela negociação e pela vontade popular.
O Brasil precisa debater seriamente esse assunto. Não se trata de defender indivíduos ou partidos, mas de compreender que nenhuma nação se sustenta quando a justiça se torna ferramenta de poder. A democracia exige limites, equilíbrio e responsabilidade institucional. O lawfare corrói silenciosamente essas bases, enfraquecendo direitos e minando o estado democrático de direito.
É hora de recuperar a essencial separação entre justiça e disputa política. Investigação e punição devem existir onde há provas e não onde há interesses. O desafio é enorme, mas indispensável: salvar a justiça da política — e a política da justiça. Sem isso, corremos o risco de transformar o Estado de Direito em Estado de suspeição
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.