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Taxação dos EUA preocupa setor madeireiro de SC

Entrevista com o presidente da FIESC, Mário Cezar de Aguiar

Por Ligado no Sul03/04/2025 11h30
Foto/Reprodução

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), juntamente com as federações do Paraná e do Rio Grande do Sul, entregou um ofício à secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Lacerda Prazeres. O documento pede o comprometimento do governo federal nas negociações sobre a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos de base florestal.

A medida preocupa o setor de madeira e móveis de Santa Catarina, que exportou cerca de US$ 765,76 milhões para os Estados Unidos em 2024. Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o presidente da FIESC, Mário Cezar de Aguiar, destacou a relevância do mercado norte-americano para o setor produtivo catarinense.

“Estados Unidos é o principal destino das nossas exportações de produtos manufaturados, e o setor madeireiro tem um peso importante nessa pauta. O anúncio de uma tarifa de 25% gerou grande preocupação, mas ontem veio um alívio com a redução para 10%. O que nos conforta é que ficamos com o menor índice de tarifa em relação a outros países. Outros países tiveram taxas bem maiores, o que pode até abrir mais mercado para Santa Catarina”, afirmou Aguiar.

Apesar da redução da taxa, a preocupação ainda persiste. Segundo o presidente da FIESC, há a possibilidade de uma tarifa adicional devido ao artigo 232, que está sendo analisado pelo governo norte-americano.

“Existe o risco de uma nova taxação por conta do artigo 232, que os Estados Unidos estão avaliando. Esse mecanismo permite que eles apliquem tarifas extras alegando questões de segurança nacional. Mas, na opinião de muitos, isso não faz sentido no caso da madeira. Se essa tarifa adicional for aplicada, o impacto no nosso setor pode ser ainda maior”, explicou.

Negociação e pressão para evitar novas taxas

Para tentar reverter a situação, a FIESC tem atuado junto ao governo federal, enviando documentos à bancada catarinense e realizando reuniões em Brasília. “Levamos essa preocupação ao Ministério da Indústria e Comércio e também estamos orientando as empresas exportadoras a conversarem com seus clientes nos Estados Unidos. Se os compradores pressionarem o governo americano, pode haver uma chance de reverter essa sobretaxa. Afinal, isso vai encarecer o produto, dificultar as vendas e pode até mexer com o equilíbrio do comércio internacional”, disse Aguiar.

O presidente da FIESC comparou o possível impacto das novas tarifas ao que ocorreu na pandemia. “Esse tarifaço pode bagunçar toda a cadeia de comércio internacional, como aconteceu na pandemia. A gente viu como mudanças repentinas de mercado podem trazer impactos para todo mundo. Ainda é cedo para dizer como isso vai se desenrolar, mas precisamos acompanhar de perto, principalmente porque o artigo 232 pode levar meses para ser decidido”, destacou.

Projeto de retaliação gera debate

No Congresso Nacional, foi aprovado um projeto de lei que permite ao Brasil adotar medidas de reciprocidade contra as tarifas impostas pelos EUA. A rapidez na aprovação gerou discussões sobre o impacto dessa decisão na relação entre os dois países. “Os Estados Unidos são um parceiro fundamental para o Brasil, mas o Brasil não tem o mesmo peso para eles. Então, retalhar não é tão simples assim. A reciprocidade é válida, mas parece que essa aprovação foi mais uma resposta emocional do que estratégica. Antes de pensar em revide, precisamos esgotar todas as negociações possíveis”, avaliou Aguiar.

Para o presidente da FIESC, é preciso cautela para evitar prejuízos ao Brasil. “Tem que ter calma. Não adianta agir no calor do momento e acabar piorando ainda mais a situação. Qualquer medida que pareça uma retaliação pode acabar nos prejudicando mais do que ajudando. O ideal agora é negociar, tentar soluções diplomáticas e evitar um conflito comercial desnecessário”, concluiu.

A indefinição sobre o artigo 232 ainda preocupa o setor, pois há um prazo de até 270 dias para que os Estados Unidos tomem uma decisão. Enquanto isso, a FIESC segue acompanhando de perto o tema para defender os interesses da indústria catarinense.

Confira entrevista completa

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