Papo Empreendedor: Comunicação como ferramenta para lidar com os conflitos geracionais
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O programa Papo Empreendedor recebeu a jornalista Andressa Fabris, fundadora e diretora da Alfa Comunicação e Conteúdo, Diretora do Núcleo das Agências de Comunicação da Associação Catarinense de Imprensa – ACI e diretora na Associação Empresarial de Criciúma – ACIC, que compartilhou suas visões sobre como a comunicação pode ser uma ferramenta poderosa para lidar com os conflitos geracionais que surgem nas organizações. Com a convivência entre diferentes gerações no ambiente de trabalho se tornando cada vez mais comum, as empresas enfrentam o desafio de adaptar suas práticas para atender a expectativas e valores diferentes. O papel da comunicação, então, se torna essencial para garantir um ambiente de trabalho mais colaborativo e harmonioso.
Andressa explicou que um dos principais desafios atuais é o confronto de gerações com formas de viver e se comunicar completamente distintas. “Hoje, temos uma geração completamente digital, que está conectada o tempo inteiro. Quando conversei com uma amiga, a filha dela perguntou: ‘Como é que vocês marcavam os rolês na época de vocês, sem WhatsApp?’. Para essa geração, a ideia de viver sem tecnologia é quase incompreensível”, refletiu Andressa. Para ela, esse choque de gerações, que se traduz nas relações de trabalho, pode ser um obstáculo, mas também uma oportunidade de crescimento para as empresas.
As gerações e seus diferentes perfis
Cada geração tem características próprias que influenciam sua forma de se comunicar e se relacionar no ambiente corporativo:
- Baby Boomers (1946-1964) – Valorizam estabilidade, hierarquia e comunicação mais formal.
- Geração X (1965-1980) – Priorizam independência e produtividade, estando acostumados a um estilo de liderança mais rígido.
- Geração Y ou Millennials (1981-1996) – Buscam propósito no trabalho e um equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Preferem feedbacks constantes e um ambiente mais flexível.
- Geração Z (1997-2012) – Nativos digitais, esperam comunicação rápida e horizontal, além de valorizarem diversidade e bem-estar no trabalho.
Um dos pontos destacados por Andressa foi a chegada da geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, que traz consigo uma forma de pensar e de agir diferente das gerações anteriores. A comunicação direta, transparente e frequente é uma das marcas dessa geração. “A geração Z demanda muito feedback, mas precisa ser constantemente alimentada com uma comunicação mais positiva. A nossa geração (X) cresceu com feedbacks negativos, mais punitivos, enquanto a geração Z espera algo mais construtivo”, observou Andressa. Esse choque de abordagem revela a necessidade de adaptação por parte das empresas, que precisam ajustar a forma de oferecer feedback, criando um ambiente que seja mais acolhedor e menos punitivo.
Andressa também comentou sobre o papel crucial da comunicação aberta no local de trabalho. “A comunicação deve ser fluída, respeitosa e aberta. As novas gerações buscam um ambiente de trabalho onde possam se expressar livremente e onde os feedbacks sejam oferecidos de forma construtiva”, afirmou. Ela ainda destacou a tendência crescente de relações horizontais dentro das organizações, onde todos, independentemente da idade ou experiência, têm voz e participam ativamente das discussões e decisões.
Outro ponto importante abordado foi o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, algo cada vez mais valorizado pelas novas gerações. “Eles não querem viver para o trabalho. Querem equilíbrio, lazer e tempo para a família. E essa será uma grande pauta para 2025, principalmente porque as legislações sobre saúde mental estão mudando e as empresas precisam se adaptar”, explicou Andressa. A especialista ressaltou a crescente importância da saúde mental no ambiente de trabalho, um tema que se torna cada vez mais relevante à medida que as organizações se veem desafiadas a adotar políticas de bem-estar para seus colaboradores.
Andressa acredita que, ao incorporar essas práticas de comunicação e acolhimento, as empresas conseguem não apenas melhorar o ambiente de trabalho, mas também gerar um impacto positivo na produtividade e no engajamento dos colaboradores. “A geração Z busca ascender, mas sem abrir mão da saúde, do equilíbrio e do tempo com a família. Eles têm uma visão muito mais equilibrada do que a nossa, que era mais voltada para o sacrifício e o trabalho incessante”, observou.
O papel da comunicação nas diferentes gerações
Além disso, a jornalista fez questão de enfatizar que a chave para resolver os conflitos geracionais está na empatia e no respeito pelas diferentes experiências. Para ela, ouvir as necessidades e expectativas de cada geração é essencial para criar uma convivência harmoniosa e produtiva dentro das empresas. “O diálogo precisa ser mais aberto, mais transparente. É necessário provocar boas conversas dentro das empresas, para que as pessoas compartilhem suas experiências e construam uma conexão verdadeira”, afirmou.
Por fim, Andressa concluiu que a comunicação pode ser uma poderosa aliada para superar os conflitos geracionais e transformar a convivência no ambiente de trabalho. Ao criar um espaço onde todos se sintam ouvidos e respeitados, é possível estabelecer relações mais fortes, promover um trabalho mais colaborativo e, consequentemente, melhorar os resultados da organização.
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